Estudo de Caso: Projetos em CAD x BIM para as unidades da D1000

Vinícius Zonta • 14 de maio de 2026

Estudo de Caso: Projetos em CAD x BIM para as unidades da D1000


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    • Sobre  a D1000
    • O processo de combatibilização entre disciplinas em CAD x BIM
    • Visualização e compreensão do projeto
    • Alterações e revisões de projeto
    • Quantitativos e orçamentação
    • Integração entre equipes
    • Detalhamento técnico e padronização

Introdução


A expansão de redes varejistas exige muito mais do que estratégias comerciais e definição de pontos de venda. Para que novas unidades sejam implantadas dentro dos prazos previstos e com o nível de qualidade esperado, é necessário um processo de engenharia capaz de transformar diretrizes arquitetônicas e operacionais em soluções técnicas viáveis, seguras e padronizadas. Nesse contexto, os projetos complementares, incluindo instalações elétricas, hidráulicas, sistemas de climatização e prevenção e combate a incêndio, desempenham papel fundamental para garantir a funcionalidade e a conformidade das novas lojas.



A rede D1000, uma das principais empresas do varejo farmacêutico brasileiro, atua nos estados do Rio de Janeiro (Drogasmil, Farmalife e Drogarias Tamoio), Mato Grosso e Distrito Federal (Drogarias Rosário) e mantém um ritmo contínuo de expansão e modernização de suas unidades. Esse crescimento impõe desafios significativos às equipes de engenharia, que precisam desenvolver projetos cada vez mais eficientes, compatibilizados e alinhados às necessidades operacionais da empresa, sem comprometer prazos de implantação e custos de execução. Inserida nesse contexto, a BFS Engenharia vem atuando diretamente no suporte à expansão da rede, tendo desenvolvido, até o momento, os projetos complementares de cerca de 25 unidades, acumulando experiência prática nos desafios e oportunidades associados a esse processo.


Historicamente, os projetos complementares das unidades da rede foram desenvolvidos utilizando a metodologia CAD, amplamente consolidada no mercado da construção civil. Entretanto, a crescente complexidade dos empreendimentos, associada à necessidade de maior integração entre disciplinas e à busca por processos mais confiáveis, impulsionou a adoção da metodologia BIM (Building Information Modeling). Diferentemente do CAD tradicional, o BIM permite a criação de modelos tridimensionais inteligentes, capazes de concentrar informações técnicas, facilitar a compatibilização entre disciplinas e melhorar a comunicação entre projetistas, clientes e equipes de obra.


Diante desse cenário, este artigo apresenta uma análise comparativa entre as metodologias CAD e BIM aplicadas ao desenvolvimento dos projetos complementares das unidades da rede D1000, destacando os impactos observados em aspectos como compatibilização de disciplinas, visualização do projeto, gestão de revisões, levantamento de quantitativos, integração entre equipes e padronização técnica. O objetivo é demonstrar como a adoção do BIM contribuiu para aumentar a qualidade dos projetos, reduzir inconsistências e apoiar de forma mais eficiente o processo de expansão da rede.

Compatibilização entre disciplinas


A compatibilização entre disciplinas em projetos complementares é um dos pilares fundamentais para a qualidade e viabilidade técnica de um empreendimento. Em projetos que envolvem instalações elétricas, hidráulicas, sistemas de climatização (HVAC) e prevenção contra incêndio (PCI), a coexistência de múltiplas infraestruturas em espaços frequentemente limitados torna inevitável o risco de interferências físicas e conflitos de concepção.



Na metodologia CAD, cada disciplina é normalmente desenvolvida de forma independente, em arquivos 2D separados. A compatibilização acontece por meio de sobreposição de plantas (XREFs), indicações em forma de notas e desenhos realizados manualmente de cortes/elevações para comparações visuais. Como os projetos são representados em 2D, muitas interferências possuem maior chance de passarem despercebidas, especialmente aquelas relacionadas à altura (ex.: duto de ar-condicionado cruzando uma eletrocalha ou tubulação hidráulica ocupando o mesmo espaço vertical). A identificação de conflitos, nestes casos, representa um desafio para o projetista responsável pelo projeto complementar, pois, apesar de ser possível identificar estes conflitos através de checklists e plantas compartilhadas, por exemplo, também é algo dependente de sua própria experiência como projetista. Para as unidades com mais de um pavimento, a complexidade do projeto aumenta e a chance de conflitos não serem detectados também cresce.

Para comparação, a imagem acima mostra o depósito de uma das unidades no estado do Rio de Janeiro, desenvolvida em CAD. A seta vermelha aponta para uma grelha de exaustão inserida no forro, e a seta verde aponta para um perfilado metálico utilizado no projeto elétrico para passagem de fiação para iluminação e tomadas do ambiente. Uma forma de compatibilização, no CAD, seria certificar-se de que não há nenhuma infraestrutura rígida, como o perfilado metálico mencionado, “atravessando” uma grelha de exaustão na planta baixa. Esta ocorrência não necessariamente significa que há de fato um conflito, mas como temos apenas a vista da planta baixa, em 2D, entende-se como um conflito em potencial e, portanto, realizamos o ajuste no projeto elétrico para desviar da grelha, a fim de evitar qualquer problema em obra.



No BIM, a compatibilização ocorre a partir de modelos tridimensionais inteligentes, nos quais cada sistema é representado com dimensão real, posição espacial precisa e informações técnicas associadas. Todos os sistemas (elétrica, hidráulica, incêndio e HVAC) coexistem em um mesmo ambiente virtual, respeitando cotas de nível, inclinações, afastamentos mínimos e espaços de manutenção. Softwares BIM permitem identificar conflitos físicos e funcionais de forma automática, gerando relatórios de conflitos (ou “clashes”). A compatibilização ocorre ainda nas fases iniciais, permitindo ajustes de rota, mudança de diâmetro, rebaixamento de forro ou reorganização de shafts antes da obra.

Em contrapartida, a imagem acima mostra uma situação semelhante à da imagem 1, onde há um perfilado metálico (seta verde) passando ao lado de uma grelha de exaustão (seta vermelha). Na imagem 2, temos de forma bem clara o espaço ocupado pela infraestrutura de exaustão e elétrica, além da altura em que estão inseridos no projeto. Neste caso, para que o perfilado metálico pudesse atravessar a área ocupada pela grelha acima do forro, seria necessário prever um desvio vertical considerável. Através da vista 3D, a compatibilização se torna muito mais intuitiva e visual, com a vantagem do próprio software ser capaz de identificar o conflito.

Mais do que uma melhoria técnica no desenvolvimento dos projetos, a compatibilização proporcionada pela metodologia BIM gera impactos diretos para o cliente. Ao identificar interferências entre disciplinas ainda na fase de projeto, torna-se possível antecipar problemas que, de outra forma, seriam descobertos apenas durante a execução da obra. Essa antecipação permite que as soluções sejam avaliadas e definidas de forma criteriosa pelas equipes de engenharia, buscando a melhor eficiência, funcionalidade e construtibilidade dos sistemas envolvidos.



Como consequência, reduz-se significativamente a ocorrência de improvisações e decisões críticas tomadas em campo, situação que normalmente resulta em retrabalhos, alterações não planejadas, desperdício de materiais e aumento dos custos de execução. Além disso, a diminuição de interferências em obra contribui para maior previsibilidade do cronograma, reduzindo riscos de atrasos associados à necessidade de desmontagem e remanejamento de instalações já executadas.


No contexto da expansão da rede D1000, esses ganhos possuem impacto estratégico. A redução de retrabalhos e atrasos representa menor custo com mão de obra, materiais e mobilização de equipes, além de minimizar possíveis penalidades contratuais e custos indiretos relacionados ao prolongamento da obra. Como resultado, as novas unidades podem ser entregues e iniciar suas operações em menor prazo, antecipando a geração de receita e acelerando o retorno sobre o investimento realizado pela companhia.

Visualização e compreensão do projeto


No CAD, os projetos são desenvolvidos majoritariamente em 2D, utilizando plantas baixas, cortes e detalhes isolados. A compreensão do espaço tridimensional depende da capacidade de interpretação do projetista ou do executor, que precisa “reconstruir mentalmente” a posição real dos elementos. Em projetos multidisciplinares, isso se torna mais complexo, pois diferentes sistemas (eletrocalhas, tubulações hidráulicas, redes de incêndio e dutos de climatização) são representados na planta baixa, mas sem uma percepção clara de sobreposição espacial, isto é, a altura não existe.


A leitura de projetos em CAD exige conhecimento técnico avançado. Profissionais de obra, gestores, clientes e equipes de manutenção frequentemente têm dificuldade em interpretar corretamente plantas 2D, o que pode gerar erros de execução, dúvidas constantes e decisões equivocadas em campo. Cada disciplina costuma ser analisada separadamente, mesmo quando sobrepostas, as plantas não deixam claro qual sistema está acima ou abaixo, nem a real distância entre eles. Isso é crítico em áreas técnicas congestionadas, como casas de máquinas, prumadas e forros. Na ausência de cortes e elevações de regiões mais complexas da planta geral, o próprio projetista não consegue detalhar adequadamente a passagem de infraestrutura, potencialmente criando empecilhos e retrabalho durante a execução do projeto.

Com as plantas de compatibilização ligadas no AutoCAD, dentro do projeto elétrico, podemos verificar a representação da infraestrutura de outras disciplinas: uma evaporadora na cor magenta, uma luminária de emergência na cor vermelha, e luminárias do projeto luminotécnico em azul. Como o projeto é todo feito em duas dimensões, é necessário a interpretação do contexto em que cada infraestrutura/dispositivo/máquina está inserida. Por exemplo, não há um conflito entre o perfilado metálico (linha roxa) e a evaporadora, uma vez que um está posicionado abaixo do forro, e o outro, acima. A compreensão do projeto em CAD é muito mais “conceitual”.

Outro método para facilitar o entendimento dos projetos, principalmente em CAD, está no uso de notas e chamadas que descrevem o que está acontecendo no ponto indicado. Na imagem 5, entendemos que a forma mais simples e direta para representar a alimentação de uma tomada com caixa 4x2”, cuja infraestrutura vem diretamente por baixo desta, do pavimento abaixo, é através de uma nota de texto.



No BIM, os sistemas são modelados em 3D real, respeitando cotas de nível, alturas, inclinações e volumes. Isso permite visualizar com precisão o posicionamento de eletrocalhas acima de forros, interferências entre dutos de climatização e vigas, ou a passagem de tubulações hidráulicas em shafts técnicos. A compreensão espacial é imediata e objetiva, eliminando ambiguidades. A visualização tridimensional do BIM também torna o projeto mais acessível a públicos não técnicos. Com poucos comandos, é possível gerar vistas, cortes perspectivados e imagens que facilitam o entendimento do funcionamento dos sistemas prediais, melhorando a comunicação entre projetistas, obra, fiscalização e cliente.


Os elementos não são apenas linhas ou símbolos gráficos, mas objetos construtivos inteligentes, com dimensões, volumes e posicionamento reais. Isso significa que eletrocalhas, dutos de climatização, tubulações hidráulicas e redes de incêndio ocupam exatamente o espaço que ocuparão no local. Essa fidelidade reduz interpretações subjetivas e aproxima o projeto da realidade da obra. O modelo BIM funciona como uma linguagem comum entre projeto e execução. A equipe de obra consegue entender com muito mais clareza o que deve ser construído, mesmo em situações complexas, diminuindo dúvidas, retrabalho e solicitações de esclarecimento.

O exemplo abaixo ilustra um caso interessante: no CAD, ao desenhar uma curva de 90° para um eletroduto rígido, o raio de curvatura desenhado pode variar de um projetista para outro, com base nas configurações do seu software de desenho técnico. No BIM, esta curva de 90° é representada por um peça real, com um raio de curvatura fixo, ou seja, enquanto no CAD a passagem de infraestrutura pode ser “possível”, no BIM, tendo conhecimento do tamanho verdadeiro das peças, a mesma passagem de infraestrutura pode mostrar-se inviável.

Sob a perspectiva da execução, a clareza das informações fornecidas pelo modelo BIM representa um diferencial significativo. Ao disponibilizar vistas tridimensionais, cortes detalhados e representações mais próximas da realidade construtiva, o projeto reduz a dependência de interpretações subjetivas por parte das equipes de campo. Dessa forma, encarregados, instaladores e demais profissionais envolvidos na obra conseguem compreender com maior rapidez a localização, o percurso e a relação entre os diferentes sistemas, reduzindo dúvidas e a necessidade de consultas constantes à equipe de projeto.


Para o cliente, esse benefício se traduz em ganhos diretos de produtividade e qualidade. Equipes que compreendem melhor o projeto tendem a executar os serviços com maior assertividade, reduzindo erros de instalação, retrabalhos e paralisações causadas por dúvidas ou interpretações equivocadas. Além disso, a melhoria na comunicação entre projetistas, gestores e executores contribui para uma obra mais previsível e eficiente, diminuindo riscos de atrasos e assegurando que as soluções concebidas durante a fase de projeto sejam efetivamente implementadas em campo. Como resultado, obtém-se maior controle sobre prazo, custo e qualidade da implantação, fatores essenciais para o sucesso da abertura de novas unidades da rede.


Alterações e Revisões de projeto


Ao longo do desenvolvimento dos projetos, mudanças e alterações fazem parte do processo: ajustes arquitetônicos, solicitações do cliente, adequação a normas, interferências com estrutura ou limitações construtivas. No CAD, apesar de ser possível replicar o mesmo “bloco” em múltiplas plantas, o projeto ainda sim é essencialmente estático e fragmentado. Cada planta, corte ou detalhe acaba sendo um desenho independente, o que torna qualquer alteração um processo manual e repetitivo. Por exemplo, uma mudança simples, como o aumento do tamanho de uma sala, exige: atualização manual das plantas de elétrica, hidráulica, incêndio e HVAC, revisão de cortes e detalhes, conferência visual para evitar divergências etc. Tudo isso tem como risco a situação em que uma disciplina pode não refletir a mudança de forma correta, gerando inconsistências entre pranchas, que no pior dos casos, podem ser detectadas somente na execução.



No CAD, em projetos elétricos, por exemplo, utilizamos comumente um “bloco” contendo a infraestrutura elétrica maior (como eletrocalhas e perfilados metálicos), tal bloco é replicado entre plantas de tomadas e planta de iluminação, para que a fiação destas cargas compartilhe a mesma infraestrutura. Ao realizarmos uma alteração na posição de uma dessas eletrocalhas, a mesma alteração é replicada nas duas plantas do projeto elétrico, mas ainda se faz necessário ajustar o resto do desenho: qualquer eletroduto conectado a esta eletrocalha permanecerá na mesma posição e com o mesmo tamanho.

Nesta unidade das drogarias Rosário, em Cuiabá/MT, quando deslocamos a eletrocalha para a direita, o resto do desenho precisou ser alterado também.

No projeto ilustrado acima, houve uma revisão onde uma linha de luminárias do salão de atendimento haviam sido deslocadas para a direita. Para atender essa mudança na posição das luminárias, optou-se pelo deslocamento à direita de uma eletrocalha de 100x50mm.


Ao realizar esta modificação na planta de iluminação, por tratar-se de um “bloco”, a posição desta eletrocalha foi automaticamente replicada na planta de tomadas também. Entretanto, todo o resto do desenho fora deste bloco precisou ser alterado manualmente, como pode ser visto nas setas vermelhas.


Comparativamente, no BIM, o projeto é dinâmico e paramétrico. A mesma mudança citada acima pode ser realizada com muito mais assertividade, uma vez que ao deslocar a eletrocalha para a nova posição, por exemplo, a infraestrutura conectada se ajusta automaticamente também. Além disso, qualquer vista (planta, corte, 3D) será atualizada automaticamente, pois todas essas informações visualizáveis são extraídas do mesmo modelo. Outro fator importante está no fato do programa apresentar alertas quando o ajuste realizado na infraestrutura não é “viável”. O exemplo pode ser verificado abaixo: quando deslocamos o perfilado metálico para a direita, haverá um momento em que este tocará a curva de 90°, e o programa não irá permitir manter o deslocamento, tendo em vista que, em obra, esta instalação não seria viável.

Ao mover o perfilado para uma posição onde haverá interferência com outras peças, o Revit apresenta um alerta, impedindo que o projetista modele uma solução “impossível”.

Além dos ganhos de produtividade para as equipes de projeto, a natureza paramétrica e integrada do BIM proporciona um elevado nível de consistência entre todas as informações emitidas. Como plantas, cortes, elevações, detalhamentos e quantitativos são gerados a partir de um único modelo centralizado, reduz-se significativamente o risco de divergências entre documentos, situação que pode gerar interpretações equivocadas, erros de execução e retrabalhos em obra. Essa rastreabilidade das informações também torna o processo de revisão mais seguro e controlado, garantindo que as alterações aprovadas sejam refletidas de forma uniforme em todo o conjunto documental.


Para o cliente, essa confiabilidade representa maior previsibilidade durante a implantação das unidades. A redução de inconsistências entre documentos diminui a ocorrência de dúvidas em campo, solicitações de esclarecimento e decisões tomadas com base em informações desatualizadas ou conflitantes. Como resultado, a obra passa a contar com um fluxo de execução mais organizado, reduzindo riscos técnicos e financeiros, aumentando a qualidade final da entrega e assegurando que os padrões estabelecidos para a rede sejam reproduzidos de forma consistente em todas as unidades implantadas.


Quantitativos e Orçamentação


A elaboração de memoriais quantitativos em CAD é um processo bastante trabalhoso e com limitada precisão. Como os projetos são compostos essencialmente por linhas, blocos e representações gráficas bidimensionais, a extração de quantitativos depende de medições e contagens realizadas manualmente pelo projetista. Esse processo demanda tempo significativo e está sujeito a erros, especialmente em elementos cuja representação envolve diferentes níveis ou percursos verticais, como eletrodutos, tubulações e sistemas instalados acima de forros. Em muitos casos, torna-se necessário adotar estimativas baseadas na experiência do projetista, reduzindo a confiabilidade das informações obtidas.


Nos projetos desenvolvidos para as unidades da rede D1000 através da metodologia CAD, a emissão de memoriais quantitativos detalhados nem sempre era viável, principalmente devido ao tempo necessário para sua elaboração e conferência. Além de impactar a produtividade das equipes de projeto, essa limitação dificultava a obtenção de informações precisas para subsidiar orçamentos e planejamentos de obra.


No BIM, por outro lado, os quantitativos passam a ser gerados automaticamente a partir do modelo tridimensional. Cada elemento inserido no projeto, como eletrodutos, eletrocalhas, cabos, tubulações, conexões, equipamentos e dispositivos, possui características e dimensões associadas, permitindo que o software realize levantamentos de forma rápida e consistente. Como os quantitativos estão diretamente vinculados ao modelo, qualquer alteração realizada durante o desenvolvimento do projeto é refletida automaticamente nas tabelas e relatórios extraídos, reduzindo o risco de inconsistências entre projeto e orçamento.


Além da precisão na quantificação dos materiais, o BIM oferece maior transparência para o planejamento da execução. O acesso antecipado a informações confiáveis permite que equipes de suprimentos, orçamentação e gestão de obras realizem previsões mais assertivas sobre custos, cronogramas de compra e logística de fornecimento. A possibilidade de incorporar fatores de perda ou critérios específicos de aquisição também contribui para aproximar os quantitativos das condições reais encontradas em campo.


Para a D1000, os benefícios dessa abordagem vão além da etapa de projeto. Quantitativos mais precisos reduzem o risco de subdimensionamento ou superdimensionamento de materiais, minimizando desperdícios e compras emergenciais durante a execução. Isso proporciona maior previsibilidade financeira para cada implantação, melhora o controle dos investimentos e reduz incertezas ao longo da obra. Em uma rede que realiza a abertura e reforma contínua de unidades, a disponibilidade de informações quantitativas confiáveis contribui para decisões mais rápidas e assertivas, favorecendo o controle de custos e a padronização dos empreendimentos.


Sob uma perspectiva estratégica, a capacidade de gerar quantitativos consistentes e atualizados em tempo real transforma o modelo BIM em uma importante ferramenta de gestão. Ao reduzir desvios orçamentários, melhorar o planejamento de recursos e fornecer maior previsibilidade para a execução das obras, a metodologia contribui para uma utilização mais eficiente do capital investido, fortalecendo a capacidade da empresa de expandir sua operação de forma sustentável e controlada.

Ao concluir a modelagem do projeto, o Revit automaticamente apresenta, em formato de lista, os materiais, peças e dispositivos utilizados no projeto.

Integração entre as equipes


Uma questão de muita importância no desenvolvimento dos projetos complementares, é a integração entre equipes multidisciplinares. Na metodologia CAD, essa integração acontecia de forma limitada e fragmentada, onde cada disciplina trabalhava no seu próprio arquivo .DWG, mas utilizando a mesma planta baixa da arquitetura como uma referência externa (“XREF” no AutoCAD). Neste XREF, então, eram inseridos elementos críticos para compatibilização, como grelhas e difusores de ar, eletrocalhas, bico de sprinklers etc. A compatibilização era realizada com base nesta planta baixa compartilhada. Em cada revisão de projeto onde estes elementos de compatibilização mudavam de lugar, tornava-se necessário atualizar o XREF com o novo layout.


Em contrapartida, ao desenvolver os projetos deste cliente através da metodologia BIM (utilizando o Revit como software principal), tornou-se perceptível a mudança na relação entre as equipes, com maior comunicação e preocupação em desenvolver algo com “construtibilidade” real. Esta nova metodologia adotada realmente promoveu uma mini mudança cultural no fluxo dos trabalhos, incentivando a coordenação antecipada em vez da correção tardia de problemas, ou a capacidade de identificar problemas que antes sequer eram percebidos. A comunicação, que antes era baseada apenas em desenhos, passou a ser orientada pelo modelo, reduzindo interpretações equivocadas e facilitando o alinhamento entre os projetistas, coordenadores e cliente. Como resultado, os projetos tornaram-se mais coerentes, previsíveis e alinhados com as necessidades da obra. 


Para a D1000, essa integração representa um benefício estratégico que vai além da coordenação entre projetistas. Com informações mais consistentes e uma comunicação mais eficiente entre todas as partes envolvidas, reduz-se a ocorrência de conflitos durante a execução, acelera-se a tomada de decisões e aumenta-se a previsibilidade dos resultados. Em um ambiente de expansão contínua, onde diversas unidades podem estar simultaneamente em fase de projeto, obra ou operação, a capacidade de alinhar equipes em torno de um modelo único contribui para maior controle dos empreendimentos e para a manutenção dos padrões de qualidade estabelecidos pela companhia.


Detalhamento técnico e padronização


No CAD, o detalhamento técnico nos projetos de elétrica, hidráulica, combate a incêndio e climatização eram fortemente dependentes da experiência individual do projetista e das convenções gráficas previamente estabelecidas no ambiente de trabalho. Cada elemento do projeto, tubulações, eletrodutos, válvulas, difusores de ar ou um sprinkler são essencialmente uma representação gráfica, sem inteligência associada. As informações técnicas (diâmetro, material, vazão, potência, pressão, norma aplicável) apareciam como textos, legendas ou notas em prancha. Para garantir que não haveria inconsistências e divergências de informações entre pranchas, era necessária uma revisão bastante rigorosa de toda informação lançada manualmente em múltiplas pranchas do projeto. Além disso, revisões ao longo do tempo podem levar à coexistência de diferentes padrões gráficos e critérios técnicos dentro do mesmo conjunto de desenhos.


Já no BIM, o detalhamento técnico está intrinsecamente ligado ao conceito de objetos paramétricos inteligentes. Cada componente do modelo não é apenas um desenho, mas sim um elemento construtivo com propriedades técnicas associadas. Um eletroduto, por exemplo, carrega informações como seu diâmetro nominal e material. Um equipamento de climatização passa a conter em seu próprio modelo dados de capacidade térmica, consumo elétrico, vazão de ar e fabricante. Isso eleva significativamente o nível de consistência do projeto, pois os parâmetros seguem regras previamente definidas e padronizadas no ambiente de modelagem.


Essa padronização não beneficia apenas a etapa de projeto. Como todos os elementos são desenvolvidos a partir de bibliotecas e parâmetros previamente definidos, torna-se possível replicar soluções técnicas de forma consistente entre diferentes unidades da rede. Em um contexto de expansão contínua, como o da D1000, essa característica é especialmente relevante, pois reduz variações entre projetos e contribui para a manutenção de um padrão técnico único, independentemente da localização da loja ou da equipe responsável pelo desenvolvimento do projeto.

Além disso, a centralização das informações em um único modelo facilita futuras revisões, ampliações e manutenções. Equipamentos, dispositivos e sistemas passam a possuir um histórico técnico mais organizado e facilmente acessível, permitindo que informações importantes sejam consultadas de forma rápida e confiável. Isso reduz a dependência do conhecimento individual dos projetistas e transforma o modelo em uma fonte estruturada de informação para todo o ciclo de vida do empreendimento.


Para o cliente, os benefícios vão além da qualidade documental. A padronização dos projetos contribui para maior previsibilidade na execução das obras, simplifica processos de contratação e aquisição de materiais e reduz a ocorrência de soluções distintas para problemas semelhantes. Como resultado, a rede consegue manter um padrão construtivo e operacional mais uniforme entre suas unidades, fortalecendo a eficiência da expansão e reduzindo custos associados a adaptações, correções e divergências de projeto.


Conclusão


A comparação entre as metodologias CAD e BIM aplicada aos projetos complementares das unidades da rede D1000 evidencia que ambas possuem características capazes de atender diferentes necessidades do mercado da construção civil. O CAD permanece sendo uma ferramenta consolidada, amplamente difundida e adequada para diversos tipos de empreendimentos, especialmente quando os requisitos de compatibilização, detalhamento e gestão da informação são mais simples. Por outro lado, o BIM oferece recursos que ampliam significativamente a integração entre disciplinas, a confiabilidade das informações, a previsibilidade da execução e a capacidade de gestão dos projetos ao longo de todo o seu ciclo de desenvolvimento.


A experiência adquirida pela BFS Engenharia no desenvolvimento destes projetos complementares para a rede D1000 permitiu observar, na prática, os impactos da adoção de cada metodologia em aspectos como compatibilização, visualização, revisões, quantitativos, integração entre equipes e padronização técnica. Em empreendimentos caracterizados por múltiplas disciplinas, cronogramas desafiadores e necessidade de replicação de padrões construtivos, os benefícios proporcionados pelo BIM tornam-se especialmente relevantes, contribuindo para reduzir riscos, aumentar a qualidade dos projetos e proporcionar maior previsibilidade para o cliente.


Entretanto, a escolha entre CAD e BIM não deve ser encarada como uma decisão absoluta. Cada modelo de negócio, cada cliente e cada tipo de empreendimento possuem particularidades que influenciam a metodologia mais adequada para determinado contexto. Fatores como complexidade da obra, prazo disponível, escopo dos serviços, maturidade das equipes e objetivos do empreendimento devem ser considerados durante essa definição.



Nesse cenário, mais importante do que a ferramenta utilizada é a capacidade técnica da equipe responsável pelo desenvolvimento dos projetos. A BFS Engenharia possui experiência consolidada tanto em ambientes CAD quanto BIM, atuando com qualidade, agilidade e eficiência em ambas as metodologias. Essa versatilidade permite adaptar os processos de trabalho às necessidades específicas de cada cliente, garantindo soluções técnicas adequadas, economicamente viáveis e alinhadas aos objetivos de cada empreendimento.

Conteúdo desenvolvido por Vinícius Zonta, Projetista Eletricista na BFS Engenharia.

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Introdução à microdrenagem A drenagem urbana tem se tornado cada vez mais relevante diante do aumento das enchentes em áreas urbanizadas, destacando a importância de um planejamento eficiente e da escolha adequada de materiais para redes de microdrenagem que visam a eficiência e a viabilidade econômica . As cheias naturais ocorrem devido ao excesso de escoamento superficial causado por chuvas intensas, sendo um fenômeno cíclico e benéfico ao meio ambiente. Desde os primeiros assentamentos humanos, a presença da água foi essencial para o desenvolvimento das cidades. No entanto, o crescimento urbano desordenado tem intensificado as inundações, já que a impermeabilização do solo altera a hidrologia local e aumenta o escoamento superficial. A urbanização reduz áreas de retenção natural, remove vegetação e ocupa margens de rios sem planejamento adequado, agravando as enchentes. Em países em desenvolvimento, a falta de infraestrutura apropriada acentua o problema. Além disso, o fenômeno das ilhas de calor, intensificado pela alta concentração de superfícies impermeáveis, contribui para a formação de chuvas convectivas ainda mais intensas. De modo geral, essa modificação tende a intensificar e antecipar o pico de uma cheia, uma vez que há um volume maior de água disponível para escoamento. Isso ocorre devido ao aumento da fração de escoamento superficial e à redução das áreas de retenção e da vegetação, resultante da impermeabilização da bacia. Como consequência, a água escoa de forma mais rápida. A figura abaixo ilustra esse conceito de maneira esquemática.
Uma imagem gerada por computador de um sistema de tubulação em um edifício.
Por Gabriel Soares Dalpiaz 29 de novembro de 2024
O que é barramento blindado O barramento blindado, também conhecido como busway, é uma linha elétrica pré-fabricada que se resume a um condutor de energia elétrica , geralmente fabricado com alumínio ou cobre e composto por peças, que montadas juntas irão compor o barramento blindado, são elas os trechos retos, curvas verticais, curvas horizontais, conexões em T e assim por diante, com capacidade de conduzir correntes que chegam a mais de 6.000 A e recoberto por invólucros metálicos retangulares de aço carbono zincado ou de alumínio. Também existem as caixas de derivação ou cofres, também chamados de plugin, que ficam instalados junto ao barramento e servem para derivar um circuito do barramento blindado, fazendo a conversão de barras para cabos. Essa combinação de barras e invólucro é o equivalente aos cabos e infraestrutura (eletrodutos ou eletrocalhas) no sistema convencional de cabos. As barras correspondendo aos cabos elétricos e o invólucro à infraestrutura, pois é ele que evita contatos acidentais com as barras (partes vivas) e é através dele que é feita a fixação/suportação em lajes e paredes.
A person is holding a tablet with a 3d model of a building on it.
Por Henrique Augusto Nunes 28 de novembro de 2024
Nos últimos anos, o termo “ Compatibilização em BIM” se tornou cada vez mais recorrente entre arquitetos, engenheiros e outros profissionais envolvidos com projetos e com a construção civil. A sigla para Building Information Modeling (BIM) , ou modelagem da informação da construção, trata-se de um processo em que modelamos um edifício com muito mais informações do que constam numa simples planta baixa, feita com linhas e outras geometrias. No BIM, a proposta é modelar cada parte da edificação de maneira muito mais dinâmica, em que cada elemento carregue consigo várias informações. Podemos pensar numa mera parede, por exemplo. No desenho tradicional, ela será composta por duas linhas paralelas e alguma hachura representando seu material construtivo. Com o BIM, essa parede será desenhada, também em planta baixa, mas este desenho automaticamente criará seu modelo 3D, adicionando a esta parede informações como altura, espessura, material, revestimento e várias outras informações que os projetistas podem incluir para, posteriormente, gerar listas de materiais, orçamentos, cronogramas e outras informações que podem auxiliar na obra. As vantagens do BIM envolvem, também, uma das maiores dificuldades que os projetistas têm com projetos tradicionais. Falamos em “projetistas” , no plural, porque um projeto envolve uma série de profissionais, cada um assumindo sua especialidade. Arquitetura, Estrutura, Climatização , Hidráulica, Sanitário, Drenagem, Elétrica, Telecomunicações são apenas alguns exemplos de “disciplinas” que podem ser necessárias para o projeto de uma edificação. E é muito provável que todos os projetistas responsáveis elas não trabalhem numa mesma empresa, ou em horários semelhantes, nem que tenham uma comunicação tão facilitada entre si. A dificuldade, então, está em gerar uma comunicação assertiva entre todos estes projetistas. Chegamos, então, à compatibilização de projetos, o foco deste artigo.