A nova era da infraestrutura predial impulsionada pela eletromobilidade

Rafael Pessôa de Souza • 20 de janeiro de 2026

A nova era da infraestrutura predial impulsionada pela eletromobilidade


  • Veja o conteúdo deste post

    • A nova era da infraestrutura predial impulsionada pela eletromobilidade
    • Os critérios técnicos mínimos para a instalação dos pontos de recarga
    • A nova Diretriz de Segurança Contra Incêndio (LIGABOM | SAVE)
    • Dimensionamento elétrico para pontos de recarga
    • Tipos de estações de recarga e implicações no projeto
    • Integração com outros sistemas prediais e cuidados com a segurança
    • Estudo de caso da BFS Engenharia: infraestrutura para veículos elétricos em um edifício residencial
captação de água da chuva em um telhado em um dia chuvoso

Introdução


O mercado automotivo brasileiro atravessa uma transformação sem precedentes, impulsionada pela rápida adoção de veículos elétricos (VEs). Dados consolidados demonstram uma trajetória de crescimento exponencial. No primeiro semestre de 2025, as vendas de veículos 100% elétricos (BEVs) cresceram 33% em comparação com o mesmo período de 2024, totalizando 30.483 unidades, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA). De forma mais ampla, o segmento de eletrificados — que inclui BEVs, híbridos plug-in (PHEV) e híbridos (HEV) — já responde por aproximadamente 8% do mercado total de veículos leves no país, consolidando a transição energética como uma realidade irreversível e em plena aceleração.


Este avanço da frota elétrica gera uma demanda correspondente e urgente por uma infraestrutura de recarga robusta, segura e, acima de tudo, normatizada. A necessidade é particularmente crítica em ambientes de alta densidade populacional, como condomínios residenciais e edifícios comerciais, onde a instalação de pontos de recarga se torna um fator essencial de conveniência e valorização imobiliária. A expansão da rede de recarga não é apenas uma consequência do aumento de vendas, mas também um catalisador que fortalece a confiança do consumidor na viabilidade da eletromobilidade.



Neste cenário, a instalação de um ponto de recarga para veículos elétricos evoluiu. Deixou de ser uma simples adaptação elétrica para se tornar um complexo projeto de engenharia que exige planejamento desde a fase de concepção para garantir segurança, eficiência e conformidade normativa. O ponto de inflexão definitivo neste novo paradigma é a publicação da Diretriz Nacional sobre Ocupações Destinadas a Garagens e Locais com Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos (SAVE), emitida pelo Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (CNCGBM | LIGABOM). Esta diretriz, motivada pela percepção do aumento do risco associado às baterias de íon-lítio em ambientes confinados, eleva radicalmente os padrões de segurança contra incêndio. Este artigo técnico serve como um guia definitivo para projetistas, instaladores, síndicos e incorporadores navegarem neste novo e exigente cenário.

captação de água da chuva em um telhado em um dia chuvoso

Os critérios técnicos mínimos para a instalação dos pontos de recarga


A base para qualquer projeto de recarga de veículos elétricos reside em um sólido entendimento do das normativas. Longe de serem documentos isolados, as normas aplicáveis e as novas diretrizes formam um sistema integrado onde cada uma desempenha um papel específico, garantindo segurança, interoperabilidade e eficiência.


Normas Técnicas da ABNT e Requisitos da Concessionária


O projeto deve atender a um conjunto de normas técnicas e regulamentações locais:


  1. Normas da concessionária local: Cada distribuidora de energia possui padrões técnicos próprios para o padrão de entrada, medições e proteções. É fundamental consultar a norma específica da concessionária de energia elétrica da sua região (ex: Celesc, Copel, Equatorial, CPFL, Enel, Energisa etc.) antes de iniciar o projeto.
  2. ABNT NBR 5410: Rege as instalações elétricas de baixa tensão e serve como o alicerce geral, estabelecendo os requisitos para dimensionamento de condutores, aterramento e proteções.
  3. ABNT NBR 17019: Baseada na norma internacional IEC 60364-7-722, detalha os requisitos específicos para a alimentação de veículos elétricos, tornando mais rigorosos certos aspectos da NBR 5410 para esta aplicação. Ambas devem ser aplicadas em conjunto.
  4. ABNT NBR 5419: Trata da proteção de estruturas contra descargas atmosféricas (SPDA). Sua correta aplicação, especialmente no que tange aos Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS), é vital para proteger a eletrônica sensível do veículo e do carregador.
  5. NBR 17019: Estrutura a segurança da instalação em cinco requisitos mandatórios: circuito dedicado, proteção humana (Dispositivo DR), proteção de equipamentos (Disjuntor e DPS), aterramento eficaz e responsabilidade técnica (ART).
  6. NBR IEC 61851-1: Define os requisitos básicos para sistemas de carregamento condutivo, abrangendo aspectos como segurança elétrica e comunicação entre o veículo elétrico e o equipamento de carregamento. Também aborda a compatibilidade dos diferentes componentes dentro do sistema de carregamento.

Tabela 1: Resumo Comparativo das Normas ABNT Aplicáveis

esquema da captação de água pluvial em uma edificação residencial

Fonte: Próprio autor.

A Nova Diretriz de Segurança Contra Incêndio (LIGABOM | SAVE)


A Diretriz Nacional SAVE representa a mais significativa mudança regulatória, redefinindo os padrões de segurança contra incêndio em garagens. Motivada pelo risco de fuga térmica (thermal runaway) das baterias de íon-lítio, ela reclassifica as garagens com pontos de recarga como "áreas de risco especial". A diretriz entra em dia 22 de fevereiro de 2025 e as adequações elétricas são imediatas após esse prazo.


Requisitos Mandatórios da Diretriz:


  1. Restrição de Modos de Recarga: Em garagens, são permitidos apenas os modos 3 (wallbox) e 4 (DC rápido), proibindo o uso de tomadas comuns (Modo 2).
  2. Desligamento de Emergência: Exige um dispositivo de desligamento manual a até 5 metros de cada estação e outro geral na entrada da garagem.
  3. Sistemas de Proteção Ativa: Para edificações novas, torna-se obrigatória a instalação de sistema de detecção de incêndio, chuveiros automáticos (sprinklers) e extração mecânica de fumaça. Para edificações existentes, a adequação desses itens será necessária, com prazos definidos por cada estado.
  4. Segurança Estrutural: Edificações novas devem ter uma estrutura na garagem com Tempo Requerido de Resistência ao Fogo (TRRF) de, no mínimo, 120 minutos.

Tabela 2: Matriz de Requisitos da Diretriz LIGABOM (SAVE)

esquema da captação de água pluvial em uma edificação residencial

Fonte: Próprio autor.

Legenda: Gráfico das vendas de veículos elétricos no Brasil por semestre desde 2023

Dimensionamento Elétrico para Pontos de Recarga


O dimensionamento correto da infraestrutura elétrica é um pilar fundamental para garantir a segurança, a eficiência e a escalabilidade do sistema.


  1. Cálculo de Demanda: O primeiro passo é o cálculo da demanda adicional. Para um único carregador, o cálculo é direto (ex: um wallbox de 7.4 kW em 220 V representa ~34 A). Em cenários com múltiplos carregadores, o fator de simultaneidade deve ser aplicado com cautela. A nova carga total deve ser comparada com a capacidade do padrão de entrada de energia, que podem necessitar de um upgrade junto à concessionária.
  2. Quadro Elétrico Dedicado: A instalação de um quadro de distribuição dedicado exclusivamente aos circuitos de recarga é uma prática altamente recomendada. Isso centraliza as proteções, facilita a manutenção e isola o sistema de recarga do restante da instalação predial.
  3. Especificação de Componentes: Os condutores devem ser dimensionados considerando a capacidade de corrente e a queda de tensão. As proteções, como disjuntores e Dispositivos DR, devem ser especificadas conforme as normas NBR 5410 e NBR 17019.
  4. Medição de Consumo: Em condomínios, a medição individualizada do consumo é inegociável. A exigência de um circuito dedicado pela NBR 17019 facilita a instalação de um medidor de energia secundário (submedidor), garantindo que o custo da energia seja atribuído de forma justa ao usuário.
  5. Previsão de Expansão Futura: O projeto deve ser concebido com a expansão em mente. Isso significa dimensionar eletrocalhas e eletrodutos com capacidade sobressalente e prever espaço nos quadros elétricos para novos circuitos. O custo marginal de prever essa expansão no projeto inicial é ínfimo comparado ao custo de obras civis futuras.



Tipos de estações de recarga e implicações no projeto

A norma ABNT NBR IEC 61851-1 define os diferentes modos de recarga condutiva, que impactam diretamente o projeto elétrico e a infraestrutura necessária:


  1. Modo 1 e 2 (Lenta): Utilizam tomadas residenciais padrão. O Modo 1 não possui proteção no cabo, sendo obsoleto. O Modo 2 possui um dispositivo de proteção no cabo (IC-CPD). Importante: A nova diretriz LIGABOM proíbe o uso do Modo 2 em garagens e locais confinados.
  2. Modo 3 (Semi-rápida): Recarga em corrente alternada (AC) utilizando uma estação dedicada (wallbox), com circuito próprio e proteções integradas. Permite comunicação entre o veículo e a estação, gerenciando a recarga de forma segura. É o modo mais indicado para residências e condomínios.
  3. Modo 4 (Rápida): Recarga em corrente contínua (DC). O conversor de energia está na própria estação, permitindo potências muito elevadas e recargas em minutos. É mais comum em eletropostos públicos e rodovias.


A escolha entre pontos individuais ou coletivos em garagens de condomínios é uma decisão estratégica. Pontos individuais, ligados ao medidor de cada apartamento, simplificam a cobrança, mas podem ser complexos de instalar em edifícios existentes. Uma central de carregadores coletiva, com um sistema de gerenciamento e cobrança, pode ser uma solução mais escalável e organizada para o condomínio como um todo.



Integração com outros sistemas prediais e cuidados com a segurança


Um projeto de recarga de VEs não pode ser concebido de forma isolada. Sua segurança e eficiência dependem da integração sinérgica com outras disciplinas de engenharia.


  1. SPDA (Proteção Contra Surtos): A eletrônica embarcada nos VEs e carregadores é extremamente sensível a surtos de tensão. A proteção eficaz, regida pela ABNT NBR 5419, exige uma abordagem em camadas, com a instalação de Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS) no quadro elétrico que alimenta os carregadores. A revisão da NBR 5419 já sinaliza a inclusão de referências específicas a sistemas de carregamento de VEs, reconhecendo este risco.
  2. Automação Predial (BMS): Em instalações com múltiplos carregadores, a integração com um Sistema de Gerenciamento Predial (BMS) permite o gerenciamento dinâmico de carga (dynamic load balancing). O sistema monitora o consumo total do edifício e distribui a potência disponível de forma inteligente entre os veículos, evitando sobrecargas.
  3. Sistemas de Ventilação e Exaustão (AVAC): A exigência de extração mecânica de fumaça da Diretriz LIGABOM precisa ser coordenada com o projeto de AVAC, com acionamento interligado ao sistema de detecção de incêndio.
  4. Infraestrutura de Dados: Estações inteligentes, que permitem controle de acesso e cobrança, necessitam de uma infraestrutura de rede (cabeada ou sem fio) para comunicação com a plataforma de gerenciamento.



Estudo de Caso: Infraestrutura para Veículos Elétricos em um Edifício Residencial


Para ilustrar a aplicação prática dos conceitos normativos e de segurança abordados, apresentamos o projeto elétrico desenvolvido pela BFS Engenharia para um edifício residencial.


Neste empreendimento, a infraestrutura para o carregamento de veículos elétricos não foi tratada como uma adaptação posterior, mas sim planejada detalhadamente desde a concepção do sistema elétrico das garagens, garantindo a valorização do imóvel e a segurança dos futuros moradores.


O primeiro passo foi prever o impacto das cargas de recarga no balanço energético do condomínio. Conforme podemos observar no fluxograma de distribuição, foi definida uma hierarquia clara onde os circuitos de carregamento derivam de quadros bem dimensionados, evitando sobrecargas no sistema principal do edifício.

Legenda: Recorte do fluxograma de distribuição mostrando a integração dos quadros com carregadores veiculares (QD-AP’s) com resto do sistema predial.

Seguindo as recomendações da NBR 17019, o projeto residencial contemplou circuitos exclusivos para os pontos de recarga. Na planta de distribuição das garagens, é possível visualizar o posicionamento estratégico dos pontos, prevendo a passagem de eletrodutos e cabos que atendam às vagas de forma organizada, sem improvisos.

Legenda: Planta de distribuição dos pontos elétricos na garagem, prevendo infraestrutura dedicada para futuras estações de recarga.

Legenda: Perspectiva da distribuição da infra e pontos elétricos na garagem.

Um dos pontos críticos abordados na diretriz LIGABOM e nas normas técnicas é a proteção contra choques elétricos. No diagrama trifilar do quadro de distribuição da garagem, especificamos o uso obrigatório de Dispositivos Diferenciais Residuais (DR) para os circuitos destinados à recarga (identificados no projeto como circuitos para V.E.).

O uso do DR garante que qualquer fuga de corrente — comum em equipamentos desgastados ou acidentes — seja detectada imediatamente, desligando o circuito e protegendo a vida do usuário. Além disso, o dimensionamento dos disjuntores e condutores foi feito para suportar a carga contínua típica de carregadores, evitando aquecimentos perigosos.

Legenda: Diagrama trifilar do Quadro de Apartamento tipo A/B, destacando a proteção por DR nos circuitos dedicados.

Com este projeto, o edifício entrega aos seus moradores uma garagem "EV-Ready" (pronta para veículos elétricos). Isso elimina a necessidade de grandes reformas civis no futuro e assegura que a instalação dos carregadores (Wallboxes) ocorra de forma "Plug & Play", respeitando as normas de segurança e facilitando a gestão condominial.

Conclusão


Neste contexto, contar com equipes multidisciplinares é um diferencial competitivo que reflete na melhor comunicação e integração dos diferentes projetos de engenharia, otimizando as soluções de cada sistema e garantindo a perfeita operabilidade entre eles.

A jornada para implementar uma infraestrutura de recarga para veículos elétricos no Brasil se transformou. O que antes era visto como uma tarefa predominantemente elétrica agora se revela como um desafio de engenharia integrado, que exige conhecimento profundo das normas ABNT e, crucialmente, da nova Diretriz Nacional LIGABOM. A era das adaptações improvisadas terminou de forma definitiva.

O sucesso e a segurança dos projetos dependem da colaboração sinérgica entre engenheiros eletricistas, especialistas em segurança contra incêndio e engenheiros civis. Navegar neste cenário regulatório exige uma expertise multidisciplinar. Neste contexto, o know-how de uma engenharia consultiva especializada, como a BFS Engenharia, posiciona-se como o parceiro estratégico essencial, capaz de garantir projetos que não são apenas conformes com a legislação, mas que são fundamentalmente seguros, eficientes, escaláveis e preparados para o futuro da mobilidade.

Para entender mais como a BFS Engenharia pode auxiliar nos projetos complementares para implementação de pontos de recarga para veículos elétricos no seu empreendimento, fale com um de nossos especialistas:

Conteúdo desenvolvido por Rafael Pessôa de Souza, Engenheiro Mecatrônico e Analista de Contratos na BFS Engenharia.

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