Como boas soluções técnicas em projetos complementares reduzem o custo da obra.

Bruna Torquato • 30 de janeiro de 2026

Como boas soluções técnicas em projetos complementares reduzem o custo na obra.


  • Veja o conteúdo deste post

    • Como boas soluções técnicas são definidas em projetos de instalações.
    • Impactos de boas soluções técnicas definidas no projeto.
    • Critérios de dimensionamento, normas e regulamentações relevantes.
    • Planejamento de custos, prazos e quantitativos.
    • Estudo de caso: Solução de controle natural de fumaça em empreendimento residencial.
    • Estudo de caso: Solução de otimização técnica em projeto de instalações elétricas em edifício residencial.
    • Tendências e soluções inovadoras que auxiliam no desenvolvimento de boas soluções técnicas.

Introdução


Em muitos empreendimentos, os principais desvios de custo não surgem na execução, mas têm origem em decisões técnicas mal definidas ainda na fase de projeto. Situações como prumadas superdimensionadas, conflitos entre instalações e estrutura, escolha inadequada de materiais ou ausência de compatibilização entre disciplinas são exemplos recorrentes que geram retrabalhos, desperdício de insumos e ajustes em campo.


Esses problemas, além de impactarem diretamente o orçamento, comprometem o prazo da obra e reduzem a previsibilidade da execução. Em contrapartida, projetos complementares bem estruturados partem de uma análise técnica criteriosa, considerando não apenas o atendimento às normas, mas também a viabilidade construtiva, a integração entre sistemas e a eficiência na aplicação de recursos.



É nesse contexto que boas soluções técnicas deixam de ser apenas uma escolha de engenharia e passam a atuar como um dos principais instrumentos de controle de custos, influenciando diretamente o desempenho econômico e operacional do empreendimento ao longo de todo o seu ciclo de vida.

captação de água da chuva em um telhado em um dia chuvoso

Como boas soluções técnicas são definidas em projetos de instalações


Boas soluções técnicas em projetos complementares consistem na escolha de sistemas, materiais e configurações que atendam aos requisitos de desempenho mínimo exigido, às normas técnicas vigentes e às condições reais de execução da obra, buscando o melhor equilíbrio entre custo, eficiência, durabilidade e manutenibilidade. Envolvem o correto dimensionamento dos sistemas, a padronização de componentes, a redução de complexidades desnecessárias e a integração funcional entre os sistemas prediais, evitando superdimensionamentos, soluções de difícil execução ou com alto custo de manutenção ao longo da vida útil de projeto.


A aplicação de boas soluções técnicas ocorre a partir da análise criteriosa das demandas do empreendimento, das condições construtivas e da interação entre os diversos sistemas prediais. Traçados otimizados de instalações, definição racional de shafts, percursos verticais e horizontais, além da escolha adequada de diâmetros, bitolas e capacidades, reduzem o consumo de materiais, minimizam interferências com elementos estruturais e diminuem o tempo de instalação em obra. A compatibilização antecipada entre arquitetura, estrutura e instalações permite ajustes ainda em fase de projeto, evitando improvisos em campo, cortes indevidos em lajes e vigas, remanejamentos de redes e perdas de produtividade durante a execução.

Impactos de boas soluções técnicas definidas no projeto executivo.


Soluções técnicas bem definidas promovem:


  • Redução significativa de custos diretos (materiais, equipamentos e mão de obra);
  • Redução de custos indiretos (atrasos, retrabalhos e paralisações);
  • Aumento da produtividade das equipes;
  • Maior previsibilidade financeira;
  • Menor incidência de manutenções corretivas;
  • Maior confiabilidade operacional ao longo do ciclo de vida da edificação.


Projetos bem dimensionados não apenas reduzem o custo inicial — eles reduzem o custo total da edificação.

Critérios de dimensionamento, normas e regulamentações relevantes.


A correta interpretação das normas técnicas permite evitar super ou subdimensionamentos e especificações desnecessárias, que frequentemente elevam o custo dos sistemas. Devem ser consideradas, entre outras, normas da ABNT aplicáveis aos sistemas elétricos, hidráulicos, de climatização e de segurança contra incêndio, além dos regulamentos do Corpo de Bombeiros, exigências sanitárias, códigos de obras municipais, diretrizes das concessionárias de serviços públicos e cadernos técnicos de shopping quando aplicado. 


A ausência dessa análise inicial pode resultar em reprovações, necessidade de adequações emergenciais e aumento significativo de custos durante a execução. Com base nesses requisitos normativos, é indispensável estabelecer critérios técnicos claros antes do início do detalhamento dos projetos, incluindo a definição de cargas elétricas, demandas hidráulicas, pressões de trabalho, cargas térmicas, taxas de renovação de ar, rotas de fuga e níveis de segurança contra incêndio. A consolidação antecipada desses parâmetros evita superdimensionamentos, garante desempenho adequado dos sistemas e possibilita maior precisão nos quantitativos, no orçamento e no planejamento da obra.

Planejamento de custos, prazos e quantitativos


A consolidação das premissas técnicas antes do início dos projetos complementares permite a elaboração de orçamentos mais precisos e a redução de riscos financeiros. A definição clara dos sistemas e de seus critérios de dimensionamento possibilita a extração de quantitativos confiáveis, reduzindo a ocorrência de aditivos contratuais e ajustes de escopo durante a obra. Esse alinhamento técnico contribui para um planejamento físico-financeiro mais assertivo, maior previsibilidade de custos e melhor controle do cronograma, reduzindo improdutividades e conflitos entre disciplinas em campo.


A seguir, apresentamos dois exemplos de projetos onde decisões de engenharia permitiram otimizações significativas.

Estudo de caso: Solução de Controle Natural de Fumaça em empreendimento residencial

Empreendimento residencial Sorano da Pride Construtora

O empreendimento residencial Lunetto, localizado em Curitiba/PR e da Construtora Pride e assinatura da BFS Engenharia no desenvolvimento dos projetos complementares apresenta um exemplo prático de como boas soluções técnicas reduzem o custo global da obra.


O edifício possui uso misto com áreas residenciais, comerciais e garagens, totalizando mais de 32 mil m² de área construída. Devido à classificação das garagens como G-2, conforme as normas do Corpo de Bombeiros do Paraná (CBMPR), o projeto enfrentava limitações quanto à distância máxima de caminhamento para abandono, sem possibilidade de alteração do layout arquitetônico.


Para atender às exigências normativas sem impactar a arquitetura e os custos do empreendimento, a BFS Engenharia propôs a adoção de um Sistema de Controle Natural de Fumaça. A solução permitiu o aumento de 50% na distância máxima de percurso, conforme previsto na NPT 11, por meio de aberturas naturais dimensionadas de acordo com a NPT 15 – Parte 4, garantindo a evacuação segura em caso de sinistro.

Com essa estratégia, foi possível dispensar a implantação de uma nova escada de emergência e de um sistema de sprinklers, resultando em uma solução mais simples, econômica e eficiente.


Resultados


  • Aprovação do projeto pelo CBMPR;
  • Preservação do layout e das vagas de garagem;
  • Redução significativa dos custos de implantação e manutenção;
  • Economia estimada de até R$ 330 mil.

Estudo de caso: Otimização técnica em projeto de instalações elétricas em edifício residencial

O empreendimento Urban Maestria, localizado em Palmas/TO, é composto por uma torre de 35 pavimentos, com aproximadamente 10.674 m² de área construída, destinado ao segmento residencial de alto padrão. Durante a fase de análise dos projetos complementares (elétrico, sistemas e SPDA), foram identificadas oportunidades relevantes de otimização técnica, com foco na redução de custos de implantação, sem qualquer comprometimento da segurança, desempenho ou conformidade com as normas técnicas vigentes.


No projeto elétrico, foram identificadas duas soluções técnicas alternativas para otimização dos alimentadores e da prumada elétrica.

A primeira consistiu na substituição dos cabos com isolação EPR/XLPE 1kV por cabos com isolação PVC 750V, uma vez que não existiam trechos subterrâneos que justificassem a especificação original, aliada à adoção de condutor PEN nos alimentadores, reduzindo a quantidade de cabos por circuito e otimizando a infraestrutura das prumadas.


Como segunda alternativa, foi desenvolvido um estudo de viabilidade para aplicação de barramento blindado (Busway) na prumada de medição — tecnologia já regulamentada por concessionárias como a CELESC e a COPEL — demonstrando potencial expressivo de redução de custos, melhoria da organização da instalação elétrica e racionalização da infraestrutura vertical.

No projeto de sistemas, a substituição de eletrodutos metálicos por PVC rígido reduziu significativamente o custo de infraestrutura, além de simplificar a execução. A revisão da topologia do CFTV, com redistribuição dos equipamentos nos shafts, permitiu reduzir a metragem de cabeamento e racionalizar os racks.


Já no sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), foi proposta a utilização das ferragens da fundação como eletrodo de aterramento e das armaduras estruturais como condutores de descida, eliminando grande parte dos materiais adicionais previstos originalmente e aumentando a eficiência do sistema.


Com essa estratégia técnica integrada, foi possível racionalizar materiais, eliminar superdimensionamentos e otimizar a execução da obra, mantendo total aderência às normas NBR 5410 e NBR 5419.


Resultados


  • Redução de até 45% nos custos da prumada elétrica (com estudo de Busway);
  • Economia superior a R$ 557 mil apenas com a substituição da isolação dos cabos e utilização de barramento blindado;
  • Simplificação da execução e melhoria da eficiência técnica das instalações;
  • Manutenção integral da conformidade normativa e dos padrões de segurança.

Tendências e soluções inovadoras

Entre as principais tendências destacam-se:


  • Modelagem BIM: Para avaliação de alternativas técnicas, simulação de cenários, compatibilização multidisciplinar e extração precisa de quantitativos.


  • Sistemas industrializados: kits hidráulicos, barramentos elétricos, shafts padronizados e soluções modulares contribui para maior previsibilidade de custos, redução de desperdícios e aumento da produtividade em obra.


  • A análise do custo do ciclo de vida, aliada ao foco em eficiência energética e confiabilidade operacional, orienta escolhas técnicas mais equilibradas, sustentáveis e economicamente viáveis.

Conclusão


Boas soluções técnicas em projetos complementares são fundamentais para transformar o projeto em uma ferramenta efetiva de redução de custos na obra. Ao priorizar racionalidade técnica, compatibilização multidisciplinar e adequação normativa desde as fases iniciais, essas soluções minimizam desperdícios, reduzem retrabalhos e aumentam a previsibilidade financeira do empreendimento.


Dessa forma, a qualidade técnica do projeto se reflete diretamente na eficiência econômica, no desempenho dos sistemas e na durabilidade da edificação.

Conteúdo desenvolvido por Bruna Torquato Estácio, Arquiteta e Urbanista e Vendedora Consultiva na BFS Engenharia.

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