Como fazer o dimensionamento do sistema de extintores

Letícia Madeira • 14 de fevereiro de 2026

Como fazer o dimensionamento do sistema de extintores


  • Veja o conteúdo deste post

    • O que é o sistema de extintores e qual sua função dentro do conjunto de sistemas de incêndio.
    • Como saber qual extintor é mais recomendado para cada Classe de Incêndio (A, B, C, D e K).
    • Tipos de Extintores.
    • Principais normas utilizadas no dimensionamento.
    • O que deve ser considerado para o correto cálculo de dimensionamento.
    • Critérios de localização e instalação.
    • Estudo de caso: loja de shopping Renner

Imagem: Situação fictícia do uso do extintor | Fonte: 911 - Série Norte Americana (2018)

No cinema, o uso de um extintor é cercado de drama e ação. Na vida real, o sucesso dessa cena depende de dois fatores que não aparecem na tela: engenharia de precisão e manutenção rigorosa. Muitas normas tanto internacionais, quanto nacionais e estaduais estabelecem requisitos mínimos sobre os extintores, seja a maneira de manuseá-lo ou até mesmo o correto dimensionamento e sua instalação em local visível. 


Pode-se, inclusive, dizer que as produções de cinema buscam transmitir além do entretenimento, fatos cada vez mais próximos da realidade sobre determinado assunto. O enredo da imagem acima, é referente ao combate a um incêndio gerado pelo mau manuseio de um líquido inflamável. Este roteiro se interliga com fatos comprovados por estudos que concluíram que o extintor mais recomendado para o controlar o fogo em questão, é o extintor de CO2 para um fogo causado por líquidos inflamáveis. E, os questionamentos que ficam são: 


"Como assim existem diferentes tipos de incêndio?"

"De que maneira um mesmo extintor é utilizado para extinguir estas variações?"

"Qual será a substância que está dentro do extintor?"


Vistos como pontos de interesse e muitas vezes novidade àqueles que são leigos no assunto, para cada pergunta acima existe uma resposta com embasamento técnico e normativo; assim, a sequência resumida para cada uma seria: Sim, existem 5 classes de incêndio; Na verdade, para cada classificação de fogo existem unidades extintoras específicas; A “substância” interna ao cilindro metálico é o agente extintor, que deve ser utilizado em conformidade com o fogo que visa combater. Este artigo apresenta os principais fundamentos técnicos que orientam a aplicação dos extintores em projetos de segurança contra incêndio.

O que é o sistema de extintores e qual sua função dentro do conjunto de sistemas de incêndio


O sistema de extintores é o conjunto de equipamentos portáteis ou sobre rodas destinados ao combate manual a princípios de incêndio, antes que o fogo atinja proporções que exijam sistemas hidráulicos e/ou intervenção do Corpo de Bombeiros. Importante informação descrita pelo engenheiro civil, professor e escritor Telmo Brentano, especialista em Engenharia de Incêndio, em seu livro “A Proteção Contra Incêndios no Projeto de Edificações”, que o extintor deve ser apenas utilizado no foco de fogo e não no combate a um incêndio, por mais que diversas normas atribuem a esta medida, como um sistema de combate de incêndio. Brentano também frisa o motivo do extintor ser o equipamento mais recomendado para extinguir o fogo em seus estágios iniciais:

Fonte: Livro "A proteção contra incêndios no projeto de edificações" 4ªed (2021)

Os principais objetivos da elaboração do projeto de prevenção e combate a incêndios são reduzir danos patrimoniais e principalmente preservar vidas. Ou seja, falhas de projeto como escolha inadequada do agente extintor, distâncias de caminhamento superiores às indicadas em normas ou quantidades insuficientes, podem culminar, no pior cenário, à perda de vidas; e, em questões legislativas, resultam em reprovações junto ao Corpo de Bombeiros, retrabalho e custos adicionais para adequação. Também vale destacar que para compreender o fogo é necessário ter domínio sobre o significado de alguns termos:

Fonte: Informações disponíveis no CBMPR (Imagem adaptada pela autora)

Conhecendo os termos, chega o momento de entender a reação química, dando enfoque à auto sustentabilidade da queima, haja vista que, o calor irradiado das chamas atinge o combustível e este é decomposto em partículas menores que se combinam com o oxigênio (comburente) e queimam, irradiando outra vez calor para o combustível, formando um ciclo constante.

Como saber qual extintor é mais recomendado para cada Classe de Incêndio (A, B, C D e K)


Para que o combate a um princípio de incêndio seja eficiente e seguro, é indispensável compreender que o fogo não é um evento único, mas um fenômeno que varia conforme as características do material combustível envolvido. Cada tipo de combustível reage de maneira distinta à ação dos agentes extintores, exigindo estratégias específicas de controle e extinção.


Nesse contexto, as normas brasileiras e os regulamentos dos Corpos de Bombeiros classificam os incêndios em categorias, tradicionalmente identificadas pelas letras A, B, C, D e K. Essa padronização orienta desde a escolha do agente extintor até o dimensionamento e a distribuição dos equipamentos na edificação. A correta identificação da classe de incêndio predominante em cada ambiente é etapa fundamental do projeto de segurança contra incêndios, pois a utilização de um agente inadequado pode comprometer a eficácia da resposta, potencializar danos e colocar vidas em risco. Nos tópicos a seguir, serão descritas as classificações dos fogos, conforme Brentano aborda em seu livro, e exemplificadas por imagens a simbologia mais comum entre as normas vigentes e sua aplicação prática:


  • Classe A: Fogos oriundos de materiais combustíveis sólidos comuns, como tecidos, madeiras, papéis, borrachas, vários tipos de plásticos, fibras orgânicas, etc., que queimam em superfície e profundidade através do processo de pirólise, formando brasas e deixando resíduos (cinzas).
  • Classe B: Fogos oriundos de combustíveis sólidos que se liquefazem por ação do calor, como graxas; substâncias líquidas que evaporam, como álcool e óleo, e gases inflamáveis, que queimam somente em superfície, podendo ou não deixar resíduos. É imprescindível saber que para este tipo de incêndio não se deve utilizar água como agente extintor. As imagens abaixo demonstram a representação gráfica do fogo de classe B em questões legais e um exemplo de local propício a um incêndio desta classe.
  • Classe C: Caracteriza–se por fogo em materiais/equipamentos energizados, geralmente, ocorre em equipamentos elétricos, sendo exemplo deste tipo de incêndio: Equipamentos elétricos, motores, transformadores etc. A extinção só pode ser realizada com agente extintor não condutor de eletricidade, em geral o CO2. A primeira providência a ser tomada diante de um incêndio de classe C é desligar o quadro de força, pois assim este tipo de fogo se tornará um incêndio de classe A. Neste âmbito, os bombeiros recomendam não utilizar agentes extintores como água e espuma, contudo, profissionais devidamente habilitados e equipados por Equipamentos de Proteção Individual (EPI), possuem o conhecimento acerca do método e técnica correta de extinção por água em fogo de classe C; mas deve ser feito com muito cuidado, inclusive pelos bombeiros, para que não possibilite a água conduzir energia. O acontecimento mostrado pela imagem a seguir retrata um profissional tentando conter um princípio de incêndio em um quadro elétrico utilizando um extintor. 
  • Classe D: Fogos em metais combustíveis como magnésio, selênio, antimônio, lítio, potássio, alumínio fragmentado, zinco, titânio, sódio, urânio e zircônio são difíceis de serem apagados, esse tipo de incêndio é extinto pelo método de abafamento. Nunca se deve utilizar extintores de água ou espuma para extinção desse tipo de fogo, pois eles tendem a reagir com a água; na figura abaixo, percebe-se que o fogo queima a fio metálico de magnésio apenas pela cor, que é laranjada.
  • Classe K: Fogos em óleos vegetais, óleos animais ou gorduras usadas em cozinhas comerciais e industriais, etc. Geralmente ocorrem em equipamentos como fritadeiras, grelhas, assadeiras e frigideiras, sendo um dos incêndios mais difíceis a serem apagados. Extintores de agente úmido são projetados para esse tipo de incêndio, pois reagem com a gordura formando uma espuma que impede a entrada de oxigênio.

Tipos de extintores


A partir da definição de cada classe de fogo, torna-se possível correlacionar o risco existente na edificação com a tecnologia de combate mais apropriada. Cada classe de incêndio possui particularidades quanto ao comportamento das chamas, à forma de propagação e aos métodos de extinção mais eficazes. Dessa forma, compreender essas diferenças é essencial para garantir especificações corretas, maior eficiência na resposta a emergências e conformidade com as exigências normativas considerando o extintor como medida de combate ao foco inicial de incêndio. Haja vista, que esta compreensão traz mais clareza quanto às unidades extintoras que devem ser recomendadas para determinada classificação de fogo.



Contudo, é necessário esclarecer os tipos de extintores existentes e reconhecidos pelas normas brasileiras, bem como o que são agentes extintores. A NBR 15808/2017 define os agentes extintores como: água pressurizada, espuma mecânica, pós químicos, dióxido de carbono, gases halogenados, de classe K e líquidos especiais. Para Brentano, “os extintores de incêndio recebem o nome de acordo com o agente extintor que contêm”. Para tanto, segue as figuras abaixo destacando as informações contidas de um extintor presente em um shopping center referente ao seu agente extintor (o qual caracteriza o tipo de equipamento/agente extintor, se é de água pressurizada, CO2, etc.) e as unidades extintoras.

A imagem à esquerda mostra um extintor instalado na parede, neste caso como mostrado na figura à direita, tem-se como agente extintor o pó químico seco (PQS), com 6 kg, ainda com 1 unidade extintora (para ser duas, a carga do extintor deverá estar entre 8 e 12 kg) e capacidade de extinguir o fogo de 20B:C, ou seja, este tipo de extintor tem a função de combater tanto incêndios da classe B quanto da C.


Nesse contexto, também é preciso explicar o que são estas unidades extintoras, que segundo Brentano, é um conceito utilizado para padronizar a capacidade de combate dos extintores, ou seja, a substância presente em cada um dos extintores deve ter uma “quantidade mínima”. Um exemplo prático é com base no quadro a seguir, o extintor de água, o qual para ser considerado um equipamento eficiente, deverá conter no mínimo 10L de água (substância/agente extintor), sendo assim, 10 L é o volume mínimo que deverá ter no extintor para que o mesmo se constitua numa unidade extintora. Logo, quanto mais unidades extintoras, maior é a capacidade extintora daquele extintor. A tabela a seguir exemplifica a unidade extintora de cada um dos equipamentos.

Table showing minimum extinguishing agent requirements for portable fire extinguishers, by agent type and quantity.

Já a capacidade extintora é definida como sendo a eficácia de extinção de um foco de incêndio que determinado extintor possui, identificada por caracteres alfanuméricos A e B (as classes de fogo C, D e K, são representadas por extintores com apenas as mesmas letras C, D e K - sem números como os demais, indicando que são eficazes e adequados para estas classes de fogo desde que sejam constituídas no mínimo por uma unidade extintora). Neste momento deve-se relembrar as classes do fogo feitas nos parágrafos anteriores, pois é dessa maneira que se sabe que tipo de fogo determinado agente extintor combaterá. Por exemplo, o extintor de água pressurizada extingue apenas fogo de classe A (materiais combustíveis para este tipo de fogo: papel, madeira, tecido, borracha, plástico), já o extintor de espuma mecânica extingue apenas incêndios de classe A e B. Com o trecho retirado da NBR 12693/2021, figura a seguir é possível confirmar os exemplos citados acima e permite verificar a capacidade extintora mínima que cada extintor deve ter.

No trecho acima, o número se refere à capacidade extintora e a letra maiúscula indica a classe do fogo, ou seja, o extintor de pó químico ABC tem por função combater fogos de classe A, B e C com capacidade extintora (eficácia no combate) de 2-A:20-B:C. Muito se comentou sobre extintores, mas ainda faltou mencionar que existem dois tipos de extintores possuindo seu tamanho e peso como principais características que os distinguem entre si, os extintores portáteis e os extintores sobre rodas (extintor carreta). 


O extintor sobre rodas, como o próprio nome sugere, é um equipamento que necessita ficar sobre rodas devido ao seu tamanho e seu peso, podendo ter até 10 vezes mais o peso de um extintor portátil, considerando seu tamanho maior o que permite mais volume de agente extintor. Este tipo de extintor possui um mangotinho com no mínimo 5 metros de comprimento, equipado com esguicho ou difusor, de acordo com cada tipo de agente extintor. Como os extintores sobre rodas/carretas tem maior quantidade de agente extintor, alta vazão, maior tempo de descarga e de alcance de jato, eles são recomendados que sejam utilizados em edificações de mais alto risco como divisões I (indústrias), G3 (locais dotados de abastecimento de combustível), G4 (serviços de conservação, manutenção e reparos) eG5 (hangares), conforme orientações de Brentano em seu livro. 


Já os extintores portáteis podem ser fixados na parede e/ou sobre suporte, os chamados extintores de piso. No cotidiano de muitas pessoas, é mais comum ver um extintor portátil do que um sobre rodas, pois estes estão mais presentes em postos de combustíveis e indústria. 

Portanto, o extintor de incêndio é dimensionado considerando a ocupação da edificação, os materiais combustíveis presentes, bem como a quantidade dos mesmos, na área que deverá ser protegida que consequentemente determina a classe de fogo a ser combatida e então é definido o tipo de extintor e sua capacidade volumétrica se um portátil ou sobre rodas.

Principais normas utilizadas no dimensionamento


O extintor de incêndio é uma medida de proteção ativa contra o fogo pois requer ação humana para extingui-lo, este sistema de combate deve ser corretamente dimensionado de modo que evite causar danos às vidas e patrimônios. Seu uso é regulado por normas tanto brasileiras quanto estaduais; este último conjunto de orientações é regulamentado pelos bombeiros militares de cada estado, e normalmente são mais rígidas que as NBRs (Norma Brasileira Regulamentadora). Seguem as principais normas e instruções técnicas utilizadas no dimensionamento deste sistema mostrados na figura abaixo:

Para um uso correto e aplicação de medidas de segurança contra incêndio deve-se fazer um projeto preventivo contra incêndios (PPCI) e apresentar ao Corpo de Bombeiros local, que faz as devidas análises e, se houver incoerências normativas, o projeto retorna ao projetista para fazer os ajustes necessários e que encaminhará para nova análise após as correções. Porém, caso não haja alterações, o projeto é aprovado para a execução. Para a obra ter suas documentações aprovadas e ser liberada para funcionamento, o bombeiro deverá ir até a edificação verificar se tudo o que foi projetado realmente foi executado. 


Em empreendimentos de maior complexidade, como shopping centers, plantas industriais, hospitais, edificações históricas ou instalações com grande carga de incêndio, é comum que existam exigências adicionais relativas à quantidade de unidades extintoras, tipos de agentes, redundância de proteção, distâncias máximas de caminhamento e integração com outros sistemas, como hidrantes, chuveiros automáticos e detecção de incêndio e alarme.


Essas particularidades ocorrem porque a simples aplicação de parâmetros genéricos pode não refletir adequadamente a realidade operacional do ambiente. Um shopping, por exemplo, reúne grande circulação de público e diversidade de ocupações; já uma indústria pode envolver processos produtivos com inflamáveis, equipamentos energizados ou riscos específicos que demandam agentes diferenciados. 

O que deve ser considerado para o correto cálculo de dimensionamento


O dimensionamento dos extintores não é apenas “dividir área por um número”. Ele envolve a análise integrada do risco, da ocupação e das características físicas da área. A meta é garantir que, diante de um princípio de incêndio, exista um agente extintor adequado, acessível e em quantidade suficiente para o combate. Para iniciar o projeto de PPCI, é necessário verificar o estado no qual será executado o empreendimento, partindo para a definição da classe e ocupação, o que determinará a carga de incêndio da edificação e então ela poderá ser classificada em risco leve, médio ou alto. Esta última informação é indispensável para definir o caminhamento máximo que a pessoa deverá percorrer do ponto mais distante de uma área até o extintor mais próximo levando em conta o layout da área.



A tabela a seguir tem por objetivo trazer de modo resumido os quesitos levados em conta para definir o risco de uma edificação. 

Text box outlining how fire risk impacts extinguisher requirements and listing the factors that define fire risk.

Assim, compreende-se que para definir a quantidade mínima de extintor é necessário ter conhecimento da ocupação da edificação definida pela norma, que estabelece sua classificação de risco em Leve, Moderado ou Alto. Após verificar os ambientes que devem ser protegidos e analisar os materiais presentes que caracterizam os tipos de fogo que poderia vir a surgir, define-se o tipo de extintor correto bem como sua instalação, considerando o caminhamento máximo estipulado pelas normativas. 



É interessante ressaltar que o layout interno influencia muito na quantidade de extintores em projeto, como exemplificam as imagens a seguir, comprovando o quanto a distância de caminho a ser percorrido se difere na hipótese com e sem arquitetura interna. Por exemplo, caso a norma do estado permita o usuário percorrer uma distância máxima de 15 m até chegar no extintor mais próximo ou no ponto mais distante da edificação ou ambiente, a arquitetura interna do ambiente como está sendo projetado na figura com arquitetura interna não atende o valor estipulado pela normativa, precisando então de reajuste da arquitetura ou do engenheiro projetista responsável pelo projeto preventivo.

Como visto acima, a distância que a pessoa percorrerá é diferente para um ambiente que não tenha layout definido para um que tenha, sendo um ponto decisivo em caso de sinistro. Por este motivo, se torna muito comum o rigor na aprovação dos projetos de PPCI por parte dos bombeiros militares. Outro fato que ocorre no mercado de projetos de prevenção de incêndios, são as mudanças no layout interno de uma edificação, porque gera retrabalho o que impacta no atraso do cronograma da obra e se esta mudança for muito significativa será necessário inclusive a reaprovação no corpo de bombeiros do projeto atualizado. Nesse contexto, torna-se essencial a integração entre arquitetura e engenharia de incêndio desde a concepção até as eventuais reformas, garantindo que a proteção preventiva e ativa permaneça compatíveis com o risco, evitando não conformidades, retrabalhos e dificuldades na aprovação junto ao Corpo de Bombeiros. 

Critérios de localização e instalação


Os critérios de localização e instalação dos extintores são determinantes para que o equipamento cumpra sua função em uma emergência. A distribuição deve priorizar locais estratégicos, como rotas de fuga, acessos principais e proximidades das áreas de maior risco, permitindo que o usuário alcance o aparelho rapidamente sem avançar em direção ao fogo. A altura de instalação precisa garantir manuseio fácil e seguro, enquanto a posição deve favorecer a visibilidade, evitando obstruções por portas, mobiliário ou elementos construtivos. 



A NBR 15808 não permite que a altura de instalação de um extintor seja superior a 1,60 m a partir da alça de manuseio, quando estes são fixados nas paredes ou em pilares; quando são apoiados no piso, não devem ultrapassar uma altura de 20 cm, com o mínimo definido em 10 cm. Valores como aqueles citados, devem primeiramente ser verificados em normas estaduais, e se necessário, deve seguir para análise da NBR. Brentano retrata em seu livro alturas de instalação tanto para extintor fixado em pilar, quanto para a placa de sinalização de equipamento de emergência, a qual deverá sempre ser locada sobre o equipamento.

É indispensável a sinalização e identificação destes equipamentos de combate ao fogo podem ser tanto por meio de placas fixadas próximo aos extintores (sinalização vertical) e/ou por meio de uma pintura de piso (sinalização horizontal), assegurando reconhecimento imediato mesmo em condições adversas, como falta de energia ou presença de fumaça, além de indicar que o local deve permanecer desobstruído de forma permanente, para permitir o acesso sem restrições ao extintor de incêndio. Esta sinalização, assim como especificações de alturas de instalação, também deve ser verificada nas normas do corpo de bombeiro estadual.

Estudo de caso: Loja de Shopping (Renner)

Entrance of a Renner clothing store in a brightly lit shopping mall, featuring a red sign and large display windows.

Os conceitos abordados e ilustrados acima servem como bagagem de conhecimento quanto ao uso do extintor de incêndio para que se possa então discutir um estudo de caso tratando de assuntos como adequação de sistemas preventivos de uma loja existente em um shopping.


A Renner, loja de departamento de vestuário localizada no Shopping Villa Romana, em Florianópolis/SC, está inserida em um empreendimento de grande porte, com ocupação predominantemente comercial e alto fluxo diário de pessoas. Trata-se de uma operação varejista no segmento de moda, caracterizada por: layout aberto, com áreas amplas de circulação, setorização por departamentos (feminino, masculino, infantil, acessórios e provadores), presença de estoque interno e áreas técnicas, grande carga de incêndio devido à predominância de materiais têxteis. Por estar situada dentro de um shopping center consolidado, o projeto de prevenção e combate a incêndio (PPCI) da loja precisou considerar não apenas as normas técnicas vigentes, mas também as exigências específicas do empreendimento e a integração com os sistemas prediais existentes.


No início dos anos 2000, a Renner abriu suas portas no shopping da capital catarinense, e hoje, aproximadamente 20 anos depois, passará por uma grande reforma interna, o que resultará na necessidade de readequação de projetos complementares, principalmente àquele que fornece informações cruciais quanto à segurança e pânico em caso de incêndio. O projeto de prevenção e combate ao fogo, quando são feitas grandes alterações do projeto inicial, é necessário reaprová-lo no Corpo de Bombeiros, que neste caso, é o órgão competente no estado de Santa Catarina.


No Estado de Santa Catarina, os projetos devem atender às Instruções Normativas do CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina), além das normas da ABNT aplicáveis, como NBR 9077, NBR 10897, NBR 12693, entre outras. Para a loja Renner, os principais pontos analisados foram:


  • Classificação da ocupação como comercial varejista e cálculo da carga de incêndio específica (considerando predominância de tecidos e materiais combustíveis; para esta classificação tomou-se por base o fato da loja pertencer ao shopping center, logo, considera-se a pior classificação tanto para a carga de incêndio quanto à divisão/ocupação em C-3 com 800 MJ/m²;
  • Dimensionamento de saídas de emergência conforme população calculada bem como as distâncias máximas de caminhamento até local seguro;
  • Sistemas de hidrantes e sprinklers (quando exigido pelo enquadramento da edificação).


Por se tratar de uma loja inserida em shopping center, muitas medidas estruturais já são atendidas pelo sistema global da edificação, entretanto tendo em mente que o projeto de PPCI foi elaborado há quase duas décadas, hoje, com as mudanças de layout, é requerido um projeto atualizado para ser reaprovado no CBMSC, elaborado com base nas IN's do estado e do caderno técnico do shopping, além de ser validado pela equipe competente à responsabilidade de análise de projetos por parte do shopping. Além disso, a loja não opera como sistema isolado, mas como parte de um conjunto integrado. Qualquer alteração interna (como mudança de layout, criação de mezanino ou fechamento de áreas) exige reavaliação do impacto nos sistemas globais.


A elaboração de um PPCI em uma edificação existente com aproveitamento da infraestrutura instalada é desafiadora porque exige conciliar exigências normativas atuais com limitações físicas, estruturais e operacionais já consolidadas. O profissional precisa equilibrar segurança, viabilidade técnica e custos, muitas vezes propondo soluções criativas sem comprometer o nível de proteção exigido. Trata-se de um exercício técnico complexo que demanda análise criteriosa, experiência prática e domínio das normas vigentes.

Por este motivo que, ao redimensionar a rede de extintores da loja após alteração de arquitetura, deu-se atenção às atualizações das instruções técnicas, em que ao invés de manter dois extintores um com capacidade de combater o fogo de classe B e C, e o segundo de classe A, foi possível substituir para apenas um extintor com capacidade de combate aos três tipos incêndio, o extintor classe ABC. Contudo, esta adoção requer embasamento técnico, além da aprovação do comitê de análises de projetos do próprio shopping no qual será executada a loja. 


Portanto, a atualização normativa do CBMSC permite a substituição de múltiplos extintores específicos (A, B e C) por um único extintor ABC, o que representa um avanço significativo na racionalização das medidas de segurança contra incêndio. A mudança simplifica o sistema de proteção, reduz custos de aquisição e manutenção, diminui a possibilidade de erro na escolha do equipamento durante uma emergência e melhora a integração com o layout arquitetônico. Trata-se de uma modernização alinhada à realidade das ocupações comerciais atuais, sem comprometer o nível de segurança exigido.


Conclusão


A engenharia de segurança contra incêndio só se torna efetiva quando traduz conhecimento técnico em decisões aplicáveis e confiáveis na prática. No caso dos extintores, isso significa ir além da simples escolha do equipamento: envolve compreender o risco, classificar corretamente o tipo de incêndio, dimensionar adequadamente as unidades e garantir sua correta localização e instalação.

Quando esses critérios são atendidos de forma integrada, o sistema deixa de ser apenas um requisito normativo e passa a atuar como uma primeira linha de resposta eficiente, capaz de conter princípios de incêndio, reduzir danos e preservar vidas. Por outro lado, falhas nessa etapa comprometem não apenas a aprovação do projeto, mas a própria segurança da edificação.


Nesse contexto, o correto dimensionamento do sistema de extintores exige leitura técnica, domínio normativo e visão sistêmica sobre o funcionamento da edificação — aspectos que, quando bem aplicados, transformam o projeto em uma ferramenta estratégica de segurança e confiabilidade operacional. É justamente nessa interface entre exigência normativa e aplicação prática que a experiência acumulada em projetos preventivos contra incêndio da BFS Engenharia ganha relevância, permitindo desenvolver soluções mais assertivas, adaptadas às particularidades de cada empreendimento e alinhadas às demandas reais de operação, aprovação e execução em obra.

Conteúdo desenvolvido por Letícia Madeira, Projetista Preventivo Contra Incêndio.

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Uma imagem gerada por computador de um sistema de tubulação em um edifício.
Por Gabriel Soares Dalpiaz 29 de novembro de 2024
O que é barramento blindado O barramento blindado, também conhecido como busway, é uma linha elétrica pré-fabricada que se resume a um condutor de energia elétrica , geralmente fabricado com alumínio ou cobre e composto por peças, que montadas juntas irão compor o barramento blindado, são elas os trechos retos, curvas verticais, curvas horizontais, conexões em T e assim por diante, com capacidade de conduzir correntes que chegam a mais de 6.000 A e recoberto por invólucros metálicos retangulares de aço carbono zincado ou de alumínio. Também existem as caixas de derivação ou cofres, também chamados de plugin, que ficam instalados junto ao barramento e servem para derivar um circuito do barramento blindado, fazendo a conversão de barras para cabos. Essa combinação de barras e invólucro é o equivalente aos cabos e infraestrutura (eletrodutos ou eletrocalhas) no sistema convencional de cabos. As barras correspondendo aos cabos elétricos e o invólucro à infraestrutura, pois é ele que evita contatos acidentais com as barras (partes vivas) e é através dele que é feita a fixação/suportação em lajes e paredes.
A person is holding a tablet with a 3d model of a building on it.
Por Henrique Augusto Nunes 28 de novembro de 2024
Nos últimos anos, o termo “ Compatibilização em BIM” se tornou cada vez mais recorrente entre arquitetos, engenheiros e outros profissionais envolvidos com projetos e com a construção civil. A sigla para Building Information Modeling (BIM) , ou modelagem da informação da construção, trata-se de um processo em que modelamos um edifício com muito mais informações do que constam numa simples planta baixa, feita com linhas e outras geometrias. No BIM, a proposta é modelar cada parte da edificação de maneira muito mais dinâmica, em que cada elemento carregue consigo várias informações. Podemos pensar numa mera parede, por exemplo. No desenho tradicional, ela será composta por duas linhas paralelas e alguma hachura representando seu material construtivo. Com o BIM, essa parede será desenhada, também em planta baixa, mas este desenho automaticamente criará seu modelo 3D, adicionando a esta parede informações como altura, espessura, material, revestimento e várias outras informações que os projetistas podem incluir para, posteriormente, gerar listas de materiais, orçamentos, cronogramas e outras informações que podem auxiliar na obra. As vantagens do BIM envolvem, também, uma das maiores dificuldades que os projetistas têm com projetos tradicionais. Falamos em “projetistas” , no plural, porque um projeto envolve uma série de profissionais, cada um assumindo sua especialidade. Arquitetura, Estrutura, Climatização , Hidráulica, Sanitário, Drenagem, Elétrica, Telecomunicações são apenas alguns exemplos de “disciplinas” que podem ser necessárias para o projeto de uma edificação. E é muito provável que todos os projetistas responsáveis elas não trabalhem numa mesma empresa, ou em horários semelhantes, nem que tenham uma comunicação tão facilitada entre si. A dificuldade, então, está em gerar uma comunicação assertiva entre todos estes projetistas. Chegamos, então, à compatibilização de projetos, o foco deste artigo.