Pressurização de escadas: funcionamento, dimensionamento e desafios de projeto.

Leonardo Biscaia • 15 de março de 2026

Pressurização de escadas: funcionamento, dimensionamento e desafios de projeto


  • Veja o conteúdo deste post

    • Por que falar sobre pressurização de escadas
    • O que é e como funciona o sistema de pressurização de escadas
    • Principais componentes do sistema
    • Critérios de dimensionamento e normas aplicáveis
    • Vantagens e desvantagens do sistema de pressurização de escadas
    • Aplicações e particularizades do sistema de pressurização de escadas em diferentes empreendimentos
    • Estudo de caso: Uso de pressurização de escadas em edifício residencial multifamiliar

Por que falar sobre pressurização de escadas


Em situações de incêndios em edifícios de múltiplos pavimentos, o tempo de evacuação e as condições de segurança são fatores decisivos para preservar a vida dos ocupantes. Embora não seja notada no cotidiano, as escadas de emergência possuem importante papel nessas ocorrências — e é justamente o sistema de pressurização que garante que as escadas permaneçam livres da fumaça, permitindo uma fuga rápida e segura.


A adoção de sistemas de pressurização decorre de estudos consolidados em segurança contra incêndio que apontam a inalação de fumaça e gases tóxicos como principal causa de vítimas em incêndios, motivando a incorporação de requisitos específicos em normas técnicas e legislações de prevenção.


O sistema de pressurização mantém a escada em condição de pressão positiva em relação às áreas adjacentes, impedindo a entrada de fumaça e preservando as condições de segurança durante a evacuação.


O desempenho adequado desse sistema depende diretamente de um projeto de engenharia bem dimensionado e compatibilizado com as demais disciplinas, como arquitetura, elétrica, automação e prevenção contra incêndio.

captação de água da chuva em um telhado em um dia chuvoso

O que é e como funciona o sistema de pressurização de escadas


A pressurização de escadas é um sistema de ventilação mecânica projetado para manter o interior das escadas em pressão positiva em relação aos demais ambientes do edifício. Esse diferencial de pressão impede que a fumaça invada as escadas, garantindo que elas permaneçam seguras durante uma emergência.


Seu funcionamento baseia-se em motoventiladores que insuflam ar externo (em temperatura ambiente e sem fumaça) para o interior da escada, controlados por sensores de pressão e acionados automaticamente pelo sistema de alarme de incêndio. O ar é insuflado por dutos, grelhas e dampers, mantendo a pressão dentro dos limites normativos — suficiente para barrar a fumaça, sem dificultar a abertura das portas.


Principais componentes do sistema de pressurização de escadas


  • Ventilador centrífugo ou axial: responsável: por insuflar o ar externo para o interior da escada.
  • Dutos de insuflação e grelhas de alívio: realizam a distribuição de ar ao logo da escada.
  • Válvulas de alívio (dampers mecânicos ou motorizados): controlam a pressão interna, evitando sobrepressão excessiva.
  • Filtros metálicos laváveis tipo G1: realizam a filtragem inicial do ar insuflado, protegendo o sistema.
  • Painel de automação e sensores de pressão diferencial: gerencia o funcionamento do sistema e suas condições operacionais.
  • Sistema de alarme e comando automático: realiza o acionamento automático do sistema em emergência.

Critérios de dimensionamento e normas aplicáveis


O dimensionamento do sistema deve equilibrar segurança, desempenho técnico e conforto operacional. As principais referências normativas são:


  • NBR 14880:2020 – Pressurização de escadas de segurança em edifícios;
  • Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros (como a IT 13 – SP).


Entre os parâmetros fundamentais do projeto, destacam-se:


  • Diferença de pressão entre a escada e áreas adjacentes conforme faixa definida em norma: geralmente entre 50 Pa e 60 Pa;
  • Velocidade mínima do ar através de portas abertas conforme definido na norma: geralmente 1 m/s;
  • Perdas de carga em dutos, grelhas e válvulas;
  • Controle automático e redundância para garantir operação mesmo em caso de falha.


Além disso, a compatibilização do sistema é essencial com as demais disciplinas:


  • Arquitetura: definição de casas de máquinas, shafts e passagens de dutos;
  • Elétrica: alimentação e comando dos ventiladores e sensores, incluindo a previsão de fonte de energia de emergência (gerador), garantindo o funcionamento do sistema em caso de falha no fornecimento elétrico;
  • Automação e incêndio: integração com os sistemas de detecção e alarme;
  • Estrutura civil: adequação dos espaços técnicos e fixação dos equipamentos.

Vantagens e desvantagens do sistema de pressurização de escadas


Como todo sistema de engenharia, a pressurização de escadas apresenta benefícios e desafios que devem ser analisados conforme a tipologia da edificação e seu uso.


Vantagens


  • Segurança efetiva: mantém a escada livre de fumaça, permitindo evacuação segura mesmo em incêndios de grande porte.
  • Atendimento às normas: cumpre as exigências e instruções do Corpo de Bombeiros.
  • Atuação automática: o acionamento ocorre de forma imediata e integrada ao sistema de alarme de incêndio.
  • Apoio às equipes de resgate: proporciona acesso seguro aos bombeiros durante o combate ao fogo.
  • Flexibilidade de aplicação: pode ser adotado em edifícios residenciais, comerciais, hospitalares ou industriais.


Desvantagens


  • Custo inicial elevado: devido à necessidade de ventiladores, automação e infraestrutura de dutos.
  • Complexidade de instalação: requer integração entre disciplinas e execução técnica precisa.
  • Dependência elétrica: exige alimentação de emergência ou gerador dedicado.
  • Custos de manutenção durante toda a vida útil do empreendimento.



Aplicações e particularidades do sistema de pressurização de escadas em diferentes empreendimentos


A pressurização de escadas é obrigatória em diversas edificações verticais, especialmente aquelas com grande fluxo de pessoas ou risco elevado de incêndio, como:


  • Edifícios residenciais e comerciais;
  • Hospitais e hotéis;
  • Shopping centers e centros empresariais;

Estudo de caso: Solução de pressurização de escadas em empreendimento residencial

Um exemplo de case de sucesso com a utilização da pressurização de escadas é o empreendimento Residencial Blanc de Rouge, da Construtora e Incorporadora Equilíbrio, que contou com a BFS Engenharia no desenvolvimento dos projetos complementares, incluindo de pressurização de escadas, com aprovação junto ao Corpo de Bombeiros do Paraná.


Para garantir a pressurização de escada dentro dos padrões normativos NPT 013 do CBMPR foi necessário a utilização de um motoventilador Limiti Load do fabricante Berliner Luft, sedo selecionado para atender aos requisitos normativos quanto à vazão e pressão necessárias para a pressurização da escada. O dimensionamento do equipamento considerou o cenário crítico de operação, garantindo a manutenção da pressão positiva e da velocidade mínima do ar exigida em norma.


Além disso, o modelo foi escolhido por apresentar capacidade de vencer as perdas de carga do sistema (dutos, grelhas e dampers), assegurando desempenho estável e confiável durante a emergência.


Sua função é insuflar ar externo limpo para o interior da escada, criando uma barreira de pressão que impede a entrada de fumaça e mantém a rota de fuga protegida, conforme imagem abaixo:

Outro desafio foi referente ao posicionamento da tomada de ar externo,que tem a função de captar o ar fresco que será insuflado pelo motoventilador; por isso, deve estar estrategicamente afastada de garagens, descargas de exaustão, casas de máquinas e quaisquer pontos sujeitos à presença de fumaça. Se mal dimensionada ou mal posicionada, pode comprometer completamente a segurança do sistema, permitindo a entrada de ar contaminado e anulando o objetivo da pressurização.


Diante das restrições arquitetônicas do empreendimento, foi necessário desenvolver uma solução integrada com a equipe de arquitetura para incorporar a tomada de ar à fachada, garantindo simultaneamente o afastamento de fontes de contaminação, a eficiência aerodinâmica da captação e a conformidade estética do projeto.

 

Além do dimensionamento do sistema, foi necessária a previsão de infraestrutura complementar para garantir sua operação em situação de emergência. O sistema foi integrado à automação e ao alarme de incêndio, permitindo o acionamento automático do motoventilador e o controle das condições de pressão durante o evento.


Também foi prevista alimentação por fonte de energia de emergência (gerador), garantindo a continuidade de operação do sistema mesmo em caso de falha no fornecimento elétrico. Essa medida é fundamental para assegurar que a escada permaneça pressurizada durante toda a situação de incêndio, conforme os requisitos normativos.


Em caso de interrupção da energia da rede pública, o grupo motogerador entra em operação automaticamente por meio de um quadro de transferência, que identifica a falha e realiza a comutação para a fonte de emergência. Esse sistema assegura que o ventilador de pressurização continue operando sem necessidade de intervenção manual.

O quadro de transferência também impede o retorno de energia para a rede da concessionária, evitando riscos operacionais. Após o restabelecimento da energia externa, o sistema aguarda a estabilização da rede antes de retornar à condição normal, desligando o gerador de forma segura.



Do ponto de vista arquitetônico, foi necessária a previsão da casa de máquinas destinada ao grupo motogerador, garantindo espaço adequado para sua instalação, ventilação e acesso para manutenção. Essa definição foi essencial para assegurar a confiabilidade do sistema em situação de emergência e o atendimento aos requisitos de operação contínua.

Conclusão

Além do atendimento às exigências normativas, a pressurização de escadas constitui elemento fundamental da estratégia de segurança contra incêndio, diretamente relacionada à preservação da vida e à confiabilidade das rotas de fuga.


Um sistema bem projetado é capaz de preservar vidas e garantir o funcionamento adequado das rotas de fuga durante situações críticas. O sucesso de um projeto desse tipo depende de equipes técnicas qualificadas, capazes de realizar o dimensionamento conforme as normas e integrar todas as disciplinas envolvidas.


Na BFS Engenharia, unimos precisão técnica, integração entre disciplinas e experiência em empreendimentos residenciais e comerciais para desenvolver sistemas de pressurização eficientes, aprováveis e adequados à realidade da obra. Essa abordagem assegura confiabilidade, conformidade e proteção efetiva dos ocupantes em situações de emergência.

Conteúdo desenvolvido por Leonardo Biscaia, Projetista Mecânico na BFS Engenharia.

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