Sistemas de Combate a Incêndios: O que são, sistemas ativos e passivos e quando o projeto de prevenção contra incêndios é obrigatório

Letícia Madeira • 1 de março de 2026

Sistema de Combate a Incêndios: O que são, sistemas ativos e passivos e quando o projeto de prevenção contra incêndios é obrigatório


  • Veja o conteúdo deste post

    • O que é um projeto de prevenção e proteção contra incêndios
    • Sistemas passivos e sistemas ativos de combate a incêndios
    • Sistema de controle de fumaça
    • Medidas organizacionais de prevenção e combate a incêndios
    • Sistemas hidráulicos de combate a incêndio
    • Brigada de incêndio
    • Plano de emergência
    • Acesso de viaturas
    • Compartimentação horizontal
    • Compartimentação vertical
    • Dimensionamento estrutural
    • Setorização
    • Saídas de emergência
    • Controle de fumaça
    • Sistema de sinalização
    • Extintores
    • Sistema de hidrantes
    • Sistema de chuveiros automáticos (sprinklers)
    • Sistema de iluminação de emergência
    • Por que e quando é necessário desenvolver um projeto preventivo contra incêndios
    • Importância da manutenção periódica dos sistemas de combate a incêndios

Fonte:  Autora

Incêndio em loja de shopping no estado do Rio de Janeiro deixa feridos”, “Incêndio atinge fábrica de vidros e já dura mais de 10 horas”, “Câmeras registram ação de brigadistas em incêndio no Shopping Tijuca”; foram algumas das manchetes divulgadas recentemente pelas grandes emissoras de notícias como CNN (Cable News Network) e G1. São em acontecimentos como estes que se nota a extrema importância da existência e do bom funcionamento do sistema de combate a incêndio em edificações. 


Os sistemas de combate a incêndio exercem papel fundamental na proteção da vida, do patrimônio e da continuidade das atividades econômicas em qualquer edificação. Incêndios em ambientes com grande circulação de pessoas, como centros comerciais, mostram que a segurança adequada contra este tipo de sinistro não pode ser tratada apenas como exigência legal, mas sim como um compromisso técnico e ético da engenharia.


Buscando evitar a disseminação do foco do incêndio, o incentivo e a implantação de métodos preventivos vêm sendo cada vez mais fiscalizados em diversos ramos da construção civil. Normas brasileiras são a base para demais normativas e instruções técnicas, elaboradas pelo Corpo de Bombeiros - órgão que é o responsável por fornecer diretrizes para elaboração de projetos preventivos, além de ser aquele que fiscaliza a correta execução do que foi projetado. Nesse contexto, o Projeto de Prevenção e Proteção Contra Incêndio, ou Projeto Preventivo Contra Incêndios, ou Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndios (PPCI) se apresenta como elemento essencial do conjunto de projetos complementares de uma edificação, sendo indispensável para a regularização de obras, resultando na segurança efetiva dos usuários; destacando os bombeiros militares estaduais como os responsáveis legais pela aprovação de projetos de incêndio.


Com base na análise das normativas dos Corpos de Bombeiros Militares dos estados brasileiros, mais especificamente de Santa Catarina (CBMSC), compreende-se o significado técnico de alguns termos comumente utilizados nesta área visualizados na figura acima.

O que é um Projeto de Prevenção e Proteção Contra Incêndios


Conforme o CREA-SC (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina) não há uma norma estadual especificando quais projetos complementares devem ser elaborados e apresentados à prefeitura para que se tenha o alvará de funcionamento do local. Entretanto, a exigência decorre da atuação conjunta entre o projetista e a legislação municipal e estadual, que impõem a necessidade de projetos técnicos assinados por profissionais habilitados registrados no CREA para emissão de ART, alvará e habite-se, incluindo os projetos complementares. Projeto estrutural, elétrico, prevenção e proteção de combate a incêndios, hidrossanitário, exaustão, são alguns destes projetos. No âmbito de liberação de funcionamento, destaca-se que, umas das documentações necessárias é o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), o qual é obtido após verificação do corpo de bombeiros à edificação, em que analisará a execução do projeto aprovado de segurança contra incêndio e pânico. Vale destacar que, o corpo de bombeiros possui normas de segurança que variam conforme o estado no qual será feita a obra. Ademais, cada uma destas normas de combate a incêndio, estabelecem os sistemas preventivos necessários à edificação de acordo com sua finalidade.


  • Curiosidade: o Brasil tem NBRs referentes a cada sistema, mas cada estado tem suas próprias normas (que geralmente são leis) elaboradas seguindo diretrizes de tais normas, mas com ajustes específicos. Logo, na maioria das vezes, as normas estaduais são mais rígidas do que a normativa brasileira, além de ter poder de lei, o que as coloca acima destas NBRs. Então, a regra a seguir é primeiro verificar a norma do estado, caso tenha dúvidas, verifica-se a norma brasileira.


Nesse contexto, o PPCI é o que garante a segurança da população quando o assunto é incêndio que, além de trabalhar com medidas preventivas que quando implementadas reduzem o início e a propagação do fogo, bem como o pânico das pessoas, estabelece também sistemas de combate ao incêndio, quando necessário, como: extintores, rede de hidrantes, rede de chuveiros automáticos, entre outros.


“A Segurança Contra Incêndio (SCI) tem basicamente dois objetivos diretos: evitar a perda de vidas e de bens.” [Silva et al. (2019)]


Seguindo orientações descritas na NR 23 (Norma Regulamentadora), os bombeiros estaduais consideram o PPCI como um Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio, elaborado sobre determinado layout arquitetônico da edificação, prevenindo que o fogo tome grandes proporções. Para isso, a seguir serão descritos os Sistemas e as Medidas de Segurança Contra Incêndio (SMSCI) necessários no seu projeto e execução, tomando por exemplo, uma loja de shopping, dando enfoque à descrição simplificada de cada sistema, sua funcionalidade e importância dele no combate a incêndios.


Para início de projeto, é necessário saber em qual estado a obra será executada. Para exemplificar, faremos uma análise sobre uma loja de vestuário localizada em um shopping center na cidade de Florianópolis, no estado de Santa Catarina.


A abaixo e a tabela a seguir, garantem os itens necessários para a elaboração do projeto. Para uma análise correta, é importante se atentar às letras/números logo acima do “X”, pois estes trazem outras especificações.


Devido à localização interna no Shopping, ocupação Comercial, divisão C-3 e altura 6 e 12m, serão necessários os SMSCI demarcados na tabela 1. Outra conclusão a ser retirada desta informação é a carga de incêndio que impactará nos sistemas de combate; Neste caso, a IN 3 define que para divisão C-3, a carga de incêndio é de 800 MJ/m².

Por considerar a loja interna ao shopping, conclui-se que alguns dos critérios exigidos pela IN já foram atendidos pelo próprio shopping, como o acesso de viaturas na edificação e a brigada de incêndio. Já os demais tipos de sistemas de combate a incêndio, serão detalhados a seguir.

Sistemas Passivos e Sistemas Ativos de Combate a Incêndios


Na engenharia de combate a incêndio/engenharia de segurança contra incêndio, é comum haver dois grandes grupos nos quais os sistemas preventivos e protetivos estão divididos: Sistemas Passivos e Sistemas Ativos, como mostra a figura abaixo:

O livro Fundamentos de Segurança Contra Incêndio em Edificações Proteção Passiva e Ativa, guia institucional para sistemas de combate a incêndio no estado de São Paulo, explica que os sistemas passivos de combate a incêndio são medidas integradas à própria estrutura e arquitetura da edificação. Diferente dos sistemas ativos como verificado na figura acima, eles não precisam ser "acionados", sua função é resistir ao fogo por um tempo determinado, contendo as chamas e a fumaça no local de origem e garantindo a estabilidade do prédio, por meio de compartimentação vertical e horizontal, materiais incombustíveis ou resistentes ao fogo por determinado tempo, selagem de passagens, largura mínima de vão livre de passagem destinada à rota de fuga, dentre outros. A imagem a seguir, divide os SMSCI apresentados na IN 1 - P2 nas duas classificações de sistemas protetivos.

Ademais, também existem sistemas cuja atuação correlaciona a aplicabilidade de medidas tanto ativas quanto passivas:


  • O sistema de controle de fumaça, segundo Silva et. al. (2019), abrange a utilização de antecâmaras, caracterizando-a como uma medida passiva, pois promove a contenção e a exaustão natural da fumaça, impedindo sua propagação para o poço da escada. Já os sistemas baseados em exaustores mecânicos caracterizam-se como medidas ativas de controle de fumaça, em razão de dependerem de acionamento e energia para funcionar, atuando somente durante a ocorrência do incêndio.


“Em alguns casos elas interagem ou se complementam. Como exemplo, para que as pessoas deixem uma edificação, elas necessitarão de uma estrutura dimensionada para não colapsar, meios de circulação e escape (saídas) corretamente dimensionados, sinalização que as oriente, além de sistema de alarme que as alerte e muitas vezes de iluminação de emergência que lhes auxiliem a encontrar os caminhos, que são medidas ativas. De modo geral a sinalização é uma medida de proteção passiva, normalmente implantada por placas, faixas ou pinturas, podendo ser considerada medida de proteção ativa quando acoplada ao sistema de iluminação de emergência.” [Silva et al. (2019)]


Existem também as medidas organizacionais de prevenção e combate a incêndio: são ações administrativas, humanas e procedimentais que organizam como as pessoas devem prevenir, agir e responder a uma situação de incêndio dentro da edificação. Na prática, essas medidas envolvem a preparação das pessoas e da operação do edifício, garantindo que os sistemas existentes sejam usados corretamente e que a evacuação ocorra de forma segura e ordenada. Elas atuam antes, durante e após a emergência:


  • Os sistemas hidráulicos de combate a incêndio, os quais evitam o alastramento e trabalham no resfriamento e extinção do fogo utilizando a água, foram cruciais no controle e combate ao incêndio que atingiu uma loja no subsolo do Shopping Tijuca no início de 2026. Essa notícia repercutiu em diversos meios de comunicação sobre o trabalho intenso de um brigadista que, naquele momento, trabalhava no setor de segurança, reforçando assim, ainda mais a necessidade da presença desta medida organizacional por meio de profissionais devidamente habilitados e de posse de equipamentos de segurança para combater o sinistro enquanto é aguardada a chegada da equipe do corpo de bombeiros.


  • A brigada de incêndio é uma medida organizacional de segurança contra incêndio, que depende de capacitação humana e procedimentos operacionais, atuando principalmente na prevenção, evacuação dos usuários da edificação, e combate inicial ao princípio de incêndio até resposta operacional das equipes especializadas do Corpo de Bombeiros. A IN 28 do CBMSC estabelece como necessária a presença de brigadistas orgânicos e brigadistas particulares para edificações com mais de 10.000 m² para ocupações C-3, fato muito comum em shoppings brasileiros e para esta situação de análise, uma área superior está sendo considerada. Para tanto, esta instrução técnica define que, dentre outras características, o brigadista orgânico pode ser um brigadista que não atue especificamente como brigadista no dia a dia, no entanto, deverá ter noções de extinção de princípios de extinção de princípios de incêndios, primeiros socorros e noções de sistemas preventivos. Já os brigadistas particulares, são contratados terceirizados, trabalhando apenas com esta função. A imagem 5 retrata de modo resumido a distinção entre eles. 
  • O plano de emergência, medida organizacional estabelecida pela NBR 15219:2020, trata de um conjunto de procedimentos técnicos e práticos para a evacuação rápida do público, garantindo que todos saibam exatamente como agir sob estresse. Ele padroniza a resposta das brigadas para o combate inicial ao fogo e define o fluxo de acionamento do socorro externo, minimizando danos humanos e patrimoniais. Este tipo de plano, desenvolvido na etapa de projeto; a figura 6 exemplifica um plano de emergência.
  • Acesso de viaturas na edificação é uma medida já adotada pelo shopping, portanto não se aplica sua implementação com relação ao exemplo que está sendo descrito neste artigo (loja de shopping). Todavia, este acesso é uma medida de segurança que consiste na existência de vias pavimentadas e espaços livres capazes de suportar e permitir a aproximação dos veículos do Corpo de Bombeiros. O objetivo principal é garantir que as viaturas de combate ao fogo e de resgate (como as auto escadas mecânicas) cheguem o mais perto possível das fachadas e dos pontos de entrada do edifício. Conforme IN 35, são definidos alguns requisitos necessários para implementar esta medida passiva, a figura 7, por exemplo, mostra a largura mínima de 6m da via de acesso.

Sistema Passivo de Combate a Incêndios

 

Existem duas soluções de proteção passiva que são implementadas na etapa arquitetônica/estrutural do local, a compartimentação horizontal e a vertical. 


  • Compartimentação horizontal: consiste em um conjunto de medidas de proteção passiva, composto por elementos construtivos resistentes ao fogo (paredes, vedações e selagens) como mostrado na figura 8, que segmentam um mesmo pavimento em áreas de risco isoladas. Seu objetivo é impedir a propagação horizontal de calor, chamas e gases tóxicos, garantindo a integridade dos meios de abandono e limitando a área de envolvimento do sinistro para facilitar a intervenção da brigada. Em shoppings, a compartimentação horizontal utiliza paredes e portas corta-fogo para isolar grandes lojas (âncoras) das áreas comuns e corredores, limitando a propagação das chamas em um mesmo nível. 


  • Compartimentação vertical: como é observado na figura 9, refere-se ao isolamento físico entre pavimentos sobrepostos por meio de elementos estruturais e de vedação com TRRF (Tempo Requerido de Resistência ao Fogo) definido em norma. Esta medida impede o "Efeito Chaminé" e a propagação por irradiação térmica ou convecção através de fachadas, poços de elevadores, dutos de serviço e escadas, assegurando que o incêndio permaneça confinado ao pavimento de origem. A compartimentação vertical ocorre através da vedação de poços de escadas rolantes e aberturas de shafts, além do uso de vãos de separação entre pisos de diferentes pavimentos para impedir a subida do fogo.


Ambas visam garantir que o sinistro fique confinado, permitindo a evacuação segura dos usuários por rotas de fuga protegidas até o exterior.

Diagram showing how fire-rated compartmentation walls contain a fire in one room, preventing its spread to an adjacent area.
Diagram showing how fire-rated compartmentation walls contain a fire in one room, preventing its spread to an adjacent area.

Outra medida passiva é a segurança estrutural. Em shopping centers, como é o nosso exemplo neste artigo, a estrutura deve assegurar que a edificação mantenha estabilidade por tempo suficiente durante um incêndio.


  • O dimensionamento estrutural aliado à resistência ao fogo dos elementos construtivos permite a evacuação segura dos ocupantes e a atuação do Corpo de Bombeiros. Essa condição é essencial devido à grande concentração de pessoas nesses empreendimentos. Os materiais tanto estruturais quanto de acabamento e revestimento utilizados em construções com a finalidade de comportar uma grande quantidade de pessoas devem possuir resposta adequada ao fogo, com baixa propagação de chamas, reduzida emissão de fumaça e determinado tempo de resistência a ele como estipulado e recomendado pelas INs 14 e 18; as quais tratam respectivamente de tempo de resistência ao fogo, compartimentação e isolamento de risco e controle de materiais de acabamento e revestimento. 


Imagens do incêndio no Shopping Tijuca divulgadas pelo G1, comprovam a importância da escolha e uso correto do material bem como seu revestimento, um exemplo é o bico representado pela seta em vermelho e a tubulação da rede de sprinkler/rede de chuveiros automáticos que, mesmo com a alta temperatura atuando sobre sua infraestrutura resistiu ainda devido todo o cuidado quanto aos aspectos citados acima. 

Table showing minimum extinguishing agent requirements for portable fire extinguishers, by agent type and quantity.

Em shopping centers, por ser uma edificação de alta concentração populacional, a organização do espaço é fundamental para garantir a circulação segura de usuários em situações normais e de emergência:


  • A setorização adequada das lojas, áreas comuns, corredores e áreas compartimentadas contribuem para a redução de riscos e facilita o controle da propagação do fogo e da fumaça; além disso, layouts claros auxiliam na orientação do público durante evacuações. A correta especificação desses materiais contribui para retardar o desenvolvimento do incêndio, impactando diretamente na segurança dos usuários.


Quando as normas recomendam o isolamento de determinado ambiente com “paredes resistentes ao fogo”, estão se referindo, dentre outros, às paredes cuja estrutura é projetada para retardar a propagação de chamas, fumaça e calor, garantindo compartimentação do ambiente, como a alvenaria. Para garantir a resistência, são elaborados estudos acerca dos materiais que são utilizados, para então chegar à conclusão de quanto é o tempo de resistência ao fogo (TRRF).


  • Saídas de Emergência: trata-se de um sistema passivo essencial para garantir a rápida e segura evacuação da edificação em situações de incêndio. As saídas de emergência são compostas pelo conjunto de elementos que formam o percurso de fuga, incluindo acessos horizontais, portas, escadas, rampas, áreas de refúgio e descarga, que devem ser dimensionadas para atender grandes fluxos de pessoas, considerando a ocupação máxima da edificação. A correta localização, largura de livre passagem, sinalização de saída (placas que indicam a direção e menor caminhamento até parte segura da edificação) e iluminação (luminárias de aclaramento e/ou luminárias de balizamento) dessas saídas garantem rotas de fuga contínuas, desobstruídas e facilmente identificáveis.

Sistemas ativos de combate a incêndios


Os sistemas de combate que atuam diretamente no controle, detecção ou extinção do incêndio, por meio de acionamento manual ou automático dimensionados para reduzir a propagação do fogo, facilitar o combate inicial e minimizar danos à vida e ao patrimônio, são chamados de sistemas ativos. Diferentemente dos sistemas passivos, os SCI ativos dependem de energia, sensores ou intervenção humana para operar (a pessoa pressiona o botão do acionador que libera sinal à central de incêndio que, então libera outro sinal fazendo disparar os sinalizadores audiovisuais, por exemplo) e são elaborados conforme as normas técnicas e as exigências do Corpo de Bombeiros, levando em conta o estado no qual será executado. Tomando por base a figura 4, os parágrafos seguintes descrevem alguns destes sistemas ativos.


  • Controle de fumaça: atua para extrair os gases tóxicos gerados em lojas ou praças de alimentação do shopping center (que é o exemplo utilizado no artigo), impedindo que eles ocupem as rotas de fuga. O sistema utiliza exaustores mecânicos de alta potência localizados na cobertura, que criam uma pressão negativa para "puxar" a fumaça para fora. Simultaneamente, ventiladores de insuflamento garantem a entrada de ar limpo em áreas seguras, mantendo uma camada livre de fumaça próxima ao piso para a evacuação dos clientes.


Um ponto interessante é a interação entre os sistemas de combate a incêndios: o controle de fumaça é ativado automaticamente pelo sistema de detecção e alarme de incêndio. Assim que um sensor de fumaça é acionado em uma loja, o sistema de ar-condicionado central é desligado para evitar o espalhamento dos gases, e os dampers (registros corta-fogo nos dutos) se fecham ou abrem conforme a lógica de extração da zona afetada. Esse isolamento é vital para garantir que a fumaça de um pavimento não contamine os demais níveis do shopping.


Facilitando o entendimento, a figura 13, conforme ABNT NBR 16983, a seguir estabelece zonas, naquela mais próxima ao piso a densidade de fumaça é quase nula, já na intermediária se inicia um processo de transição no qual a fumaça começa a tomar volume podendo possuir vários metros de espessura, e a última mais superior é a fumaça se espalhando pelo teto. 

A diagram shows smoke layers descending from a ceiling, labeled with heights, transition zones, and smoke interfaces.

A ABNT NBR 16983 ainda aborda dentre outros tópicos, a exaustão natural e a exaustão mecânica. As figuras 14 e 15 trazem consigo um resumo simplificado referente à extração de fumaça de um ambiente, seja ele apenas por dutos e grelhas em que apenas a ação da gravidade é o agente exaustor (forma natural, apontado na figura 14), ou, com a presença de insufladores e exaustores em que o insuflador tem a função de introduzir ar “limpo” abaixo da área de fumaça. E os exaustores, por serem locados próximos ou no próprio teto tem a finalidade de extrair a fumaça do ambiente; isto é, a figura 15 evidencia que o insuflador insere um ar mais limpo capado e filtrado vindo do exterior (deixa a área incendiada com uma pressão negativa), fazendo que a fumaça seja empurrada cada vez mais para cima onde está o exaustor, este por sua vez, retira esta fumaça do ambiente. 

Conforme mencionado anteriormente, o sistema de detecção e alarme de incêndio (SDAI) é interligado aos demais sistemas de combate a incêndios, e quando o SDAI identifica um sinistro, aciona demais sistemas como chuveiros automáticos, segurança e controle, dentre outros. Em lojas de shoppings centers, é altamente recomendado pelas normas a instalação deste sistema. O SDAI tem duas formas de acionamento, seja ele por acionamento manual no qual o indivíduo aperta o acionador, ou acionamento por detectores de incêndio fixados no teto/forro da loja que detectam a presença de fumaça e/ou a diferença brusca no aumento da temperatura (emitido pelo fogo); ambas as maneiras enviam um sinal à central de alarme de incêndio (se for uma loja âncora, a mesma deverá ter uma central interna à loja ou, se for uma loja de menor área, não se faz necessário uma central própria, então, o SDAI é interligado por meio de um módulo de comunicação, diretamente na central de alarme do shopping), e esta envia outro sinal ao mesmo tempo, aos avisadores audiovisuais presente na loja e, à central de alarme de incêndio do shopping, colocando em operação a brigada de incêndio (SCI passivo).


Na imagem abaixo, é possível verificar exemplos práticos de um detector, de um acionador manual e sirene audiovisual de alarme de incêndio, ambos já instalados; destaca-se que tais componentes, bem como sua devida posição são elaborados conforme normas vigentes no projeto de detecção de incêndio.

Text box outlining how fire risk impacts extinguisher requirements and listing the factors that define fire risk.

Pelo fato do avisador/sinalizador audiovisual emitir sinais sonoros e visuais, este subcomponente da medida SDAI, é amplamente implementado em locais de grande reunião de públicos, pois tem por objetivo alertar rapidamente os ocupantes do edifício da presença de um sinistro e indicar a necessidade de evacuação do empreendimento. 


Vale destacar também que se corretamente interligado, quando o SDAI emite um sinal de alerta, são feitos bloqueios:


  • Na rede de alimentação de gás, pois não se sabe a origem do incêndio, além do gás em si ser um principal combustível para o fogo;


  • No sistema de elevadores, que podem ser configurados para em caso de acionamento de alarme direcionarem seus usuários naquele momento apenas para o piso com acesso que dá acesso à áreas externas à edificação, o pavimento térreo. Porém, há o elevador de emergência que é projetado com segurança reforçada e energia independente para uso restrito dos bombeiros durante incêndios, permitindo evacuação segura, ao contrário dos elevadores convencionais que não devem ser usados em caso de fogo.


  • Sistema de Sinalização: explicado e orientado conforme IN 13, tem por objetivo conduzir o usuário a um local seguro, sendo um dos sistemas preventivos pertinentes a todas as ocupações de edificações consideradas pela norma. Sua importância está na comunicação visual padronizada, capaz de transmitir informações rápidas mesmo sob condições adversas, como fumaça ou falha de energia. A norma a classifica em sinalização básica — composta por categorias como proibição (ex.: “proibido fumar”), alerta (ex.: risco elétrico), orientação e salvamento (ex.: saída de emergência) e equipamentos de combate (ex.: localização de extintores) — e sinalização complementar, que reforça ou detalha essas informações (ex.: setas direcionais, mensagens auxiliares e identificação de pavimentos). Dessa forma, o sistema garante maior clareza na comunicação e contribui diretamente para um abandono seguro, organizado e eficiente da edificação.


Exemplos de placas de sinalização de orientação e salvamento fotoluminescentes são evidenciados nas figuras abaixo; estas emitem luz após um determinado período de exposição à luz solar ou até mesmo à luz artificial, conforme Silva et. al. (2019) aborda em seu livro., possuindo grande relevância na identificação do local de instalação de equipamentos de combate a incêndio.

Como visto acima, a distância que a pessoa percorrerá é diferente para um ambiente que não tenha layout definido para um que tenha, sendo um ponto decisivo em caso de sinistro. Por este motivo, se torna muito comum o rigor na aprovação dos projetos de PPCI por parte dos bombeiros militares. Outro fato que ocorre no mercado de projetos de prevenção de incêndios, são as mudanças no layout interno de uma edificação, porque gera retrabalho o que impacta no atraso do cronograma da obra e se esta mudança for muito significativa será necessário inclusive a reaprovação no corpo de bombeiros do projeto atualizado. Nesse contexto, torna-se essencial a integração entre arquitetura e engenharia de incêndio desde a concepção até as eventuais reformas, garantindo que a proteção preventiva e ativa permaneça compatíveis com o risco, evitando não conformidades, retrabalhos e dificuldades na aprovação junto ao Corpo de Bombeiros. 

A glowing green emergency exit sign featuring a running person icon pointing toward a left-facing arrow.

Como também constatado na figura abaixo (canto direito superior - marcado com uma seta em vermelho, aparece uma parte da placa apenas), a altura de instalação e as dimensões das placas indicativas do sentido da rota até atingir um local seguro é de suma importância, pois, sabendo que estes são registros são do térreo da edificação, no qual já existe alta concentração de fumaça visto no lado esquerdo da figura a seguir, então, é possível o questionamento: “Será que aqueles que estão no subsolo (foco do incêndio), conseguem visualizar corretamente a placa de balizamento se a mesma estiver instalada em um local muito alto, desproporcional ao piso acabado, considerando acima de tudo, o acúmulo de fumaça nas partes mais altas do teto?”. Em razão de situações como estas, as normativas estaduais orientam e definem métodos seguros para se projetar e executar os sistemas de proteção e combate ao incêndio. 

Emergency responders in uniform and protective gear gathered in a brightly lit indoor space, possibly a shopping mall.

Outro sistema ativo de combate ao foco inicial de incêndio é o extintor, que abriga agentes extintores específicos para diferentes tipos de materiais combustíveis.


  • Extintor: seu objetivo é permitir que os ocupantes realizem o combate imediato e direto aos primeiros focos de fogo, evitando que ele se propague. Para definir o tipo de extintor, deve-se ter conhecimento da classe de risco do material combustível presente na edificação. Considerando uma loja de vestuário no shopping, é usual indicar em projeto um extintor cujo agente seja o pó químico que combate incêndio provindos de materiais como tecidos e elétricos. O extintor que se qualifica nestas condições é o de pó químico com capacidade extintora ABC, conforme figura 20 a seguir. 
Entrance of a Renner clothing store in a brightly lit shopping mall, featuring a red sign and large display windows.

Em situações que o extintor não foi suficiente para extinguir o foco de incêndio, entram em ação os sistemas hidráulicos preventivos, sistema de hidrantes e chuveiros automáticos, permitindo uma atuação de combate mais prolongada e com maior capacidade de controle das chamas. Ambos utilizam da água como agente extintor mas por meios diferentes, o hidrante deve ter função ativada manualmente, já os sprinklers são acionados automaticamente quando determinada temperatura for detectada pelo bulbo do bico, fazendo-o “estourar” e liberando a água. 


  • Sistema de hidrantes: é composto por dois subsistemas, cada um possui sua respectiva função e projeto, tendo aplicabilidade diferentes entre si e estabelecidos por norma, são eles: projeto de hidrante e/ou mangotinho. Ademais, também deve-se prever a instalação de uma chave de fluxo nesta rede tendo a função de sinalizar à central de alarme em caso de fluxo de água (quando ocorre acionamento de um hidrante).


Deve ser dimensionamento para manter uma pressão constante em toda a rede, para que em caso de incêndio a mangueira possa ser acoplada ao registro de água, e a mesma direcionar o fluxo de água até o local do sinistro; a forma que a água sai da mangueira também pode ser controlada conforme o esguicho utilizado, seja ele esguicho de jato compacto ou esguicho regulável. Este sistema é geralmente o mais usado pelos bombeiros para controle e combate a incêndios, podendo fazer uso da Reserva Técnica de Incêndio – RTI (água proveniente de reservatório do edifício) ou da água presente no caminhão injetando na rede da edificação através do hidrante de recalque (recurso que os empreendimentos devem ter para que em caso de não haver água suficiente na RTI os bombeiros possam utilizar de outro lugar, sendo transportado até a edificação através de caminhões). Estes, devem ser locados externos à edificação, a figura 21 mostra um hidrante de recalque de um shopping na cidade de Joinville/SC. 

  • Sistema de chuveiros automáticos (Sprinklers): é uma rede projetada para detectar e controlar ou extinguir o incêndio ainda em sua fase inicial, por meio da descarga automática de água diretamente sobre a área afetada. Seu funcionamento ocorre quando o elemento termossensível do bico atinge determinada temperatura, liberando o fluxo apenas nos pontos necessários, o que contribui para rápida contenção do fogo.


Esse sistema é composto por uma rede de tubulações permanentemente pressurizada ou acionada por válvulas específicas, além de dispositivos de alarme, fontes de abastecimento de água e bombas de incêndio. A atuação localizada reduz a taxa de crescimento do incêndio, limita a produção de calor e fumaça e amplia significativamente o tempo disponível para a evacuação segura dos ocupantes. 


Analisando os sistemas previamente citados, é possível afirmar que os SMSCI trabalham em conjunto, haja vista que após o acionamento do bico, a água é liberada, o que resulta na passagem da mesma pela tubulação, visto a necessidade de manter-se a rede sempre pressurizada e um fluxo constante no bico em funcionamento é neste momento que a rede interna à loja, faz uso da RTI do shopping. Este fluxo de água é detectado pela chave de fluxo, locada usualmente na entrada da rede do shopping na loja, esta chave por sua vez comunica com a central de alarme da ocorrência do sinistro. A figura 22 esquematiza a situação descrita acima, e demonstra a diferença entre os subsistemas que podem ser aplicados no dimensionamento da rede de chuveiros automáticos, sendo definidos na etapa de desenvolvimento do projeto de sprinklers.

Diagram showing a fire sprinkler system, connecting sprinkler heads, a flow switch, alarm control panel, and a red light.

O dimensionamento dos sprinklers depende das características da ocupação, da carga de incêndio e da classificação de risco do ambiente (o que define também o tipo de bico a ser utilizado - figura 23), seguindo critérios estabelecidos em normas técnicas brasileiras e regulamentações do Corpo de Bombeiros. Aspectos como área de cobertura, densidade de aplicação, espaçamento entre bicos e demanda hidráulica são fundamentais para a eficácia do sistema.

Classificação de Sprinklers
  • Sistema de Iluminação de Emergência: tem como função garantir níveis mínimos de iluminância em caso de falha no fornecimento de energia, assegurando condições seguras de evacuação. Sua importância está diretamente ligada à redução de riscos, permitindo a visualização de rotas de fuga, obstáculos e saídas. Esse sistema pode ser classificado em iluminação de balizamento, que orienta o caminho (ex.: luminárias ao longo de corredores), e iluminação de aclaramento/ambiente, que assegura visibilidade geral dos ambientes (ex.: blocos autônomos em áreas amplas). Dessa forma, contribui para um abandono organizado, eficiente e seguro da edificação.

As luminárias de emergência têm por finalidade garantir a iluminação adequada, em caso de queda de energia e/ou sinistro, do caminhamento da rota de fuga até um local seguro. As figuras abaixo tratam de uma comparação entre um ambiente que possui e outro que não há luminárias de emergência, comprovando sua importância no aclaramento do ambiente para segura evacuação populacional reduzindo aspectos de pânico. A figura à esquerda, mostra um corredor sem a presença de luz, já a figura à direita mostra este mesmo corredor iluminado por luminárias de emergência, permitindo assim a visualização do corredor até a porta corta-fogo no final dele.

Fonte: Autora

Por que e quando é necessário desenvolver um Projeto Preventivo Contra Incêndios?


O Projeto Preventivo Contra Incêndio (PPCI) é exigido para que a edificação comprove, perante o Corpo de Bombeiros, que possui condições mínimas de segurança à vida, ao patrimônio e à continuidade das operações. Ele materializa, em documentos e plantas, quais medidas de proteção foram previstas de acordo com o risco da ocupação.


A necessidade do PPCI não depende apenas de um fator isolado. Ela é definida a partir de um conjunto de características da edificação, como área construída, altura, número de pavimentos, tipo de atividade desenvolvida, carga de incêndio e quantidade de público. À medida que esses parâmetros aumentam, cresce também o nível de exigência das medidas de segurança.


A função do PPCI na aprovação junto ao Corpo de Bombeiros


O projeto de segurança contra incêndio (geralmente chamado de PPCI ou PSCIP, dependendo do estado) atua como o "Roteiro de Segurança" da edificação, e deve ser elaborado antes do início da obra, para que então quando obra for iniciada, já ter o projeto aprovado. Ele é o elo obrigatório entre as normas (leis) e a realidade da construção. Sem ele, o Corpo de Bombeiros não tem como verificar se o prédio será seguro antes de ele estar pronto ou ocupado, portanto, a edificação, independente da ocupação/divisão, apenas terá o alvará de funcionamento liberado pela prefeitura, após a verificação do Corpo de Bombeiro com relação à execução do projeto de prevenção a incêndio aprovado legalmente. Ou seja, é como um ciclo, caso não se tenha o projeto de prevenção, demais documentos consequentemente serão negados.

É na etapa de análise legal que o bombeiro analista verifica se o responsável técnico (RT) por elaborar o projeto de PPCI dimensionou corretamente os sistemas e as medidas de segurança contra incêndio. O projeto da obra, apenas será aprovado após todas as alterações e correções serem realizadas pelo RT e reapresentadas ao analista. Cabe a conhecimento de importância destacar que, o projeto aprovado é considerado “lei” dentro do canteiro de obras pois, o instalador por exemplo, não pode executar a instalação de uma rede de hidrantes onde ele julgar correto; seguir o projeto na etapa de execução é extremamente fundamental visando a compatibilização entre as demais infraestruturas como: elétrica, gás, hidrossanitário, entre outros. Contudo, tem-se o entendimento que o que é projetado nem sempre será possível executar devido aos imprevistos construtivos que surgem em obra, e se houveram mudanças com relação ao projeto em questão, este deverá ser atualizado e, dependendo do quanto foi modificado será necessária uma reaprovação do projeto de combate a incêndio novamente.


Ao final da obra, antes de conceder ao responsável pela edificação a aprovação no corpo de bombeiros e obtenção do AVCB, o bombeiro realizará a vistoria e, seu único objetivo é analisar se o que está em projeto foi realmente executado. Caso tenha divergência, a aprovação será indeferida; porém se apresentar completa conformidade após a análise, será liberado e a obra poderá receber o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, podendo então, dar seguimento ao processo de liberação para funcionamento junto a prefeitura.


Importância da manutenção periódica dos sistemas de combate a incêndio


A importância da vistoria e da conferência constante dos sistemas de combate a incêndio reside na garantia de que o sistema de segurança deixará de ser meramente figurativo para se tornar funcional em uma emergência. Devido ao longo período que equipamentos do sistema de combate a incêndio, como hidrantes, sprinklers e alarmes, permanecem em repouso, estão sujeitos à degradação natural, oxidação e perda de pressão. A verificação periódica assegura que, no momento crítico, esses dispositivos operem com precisão, evitando que falhas mecânicas transformem um princípio de incêndio em uma tragédia irreparável.


Falhas na manutenção e inspeção periódica foram um dos responsáveis pela tragédia no incêndio do Shopping Tijuca, no qual houve 2 vidas perdidas. A imagem 25 traz um relato de um dos brigadistas que atuou na linha de frente no combate inicial ao fogo.

Além da prontidão técnica, a manutenção rigorosa é o que sustenta a segurança jurídica e financeira da edificação. O AVCB possui validade determinada e sua renovação depende da comprovação de que os sistemas estão em dia; sem isso, o responsável legal (síndico ou proprietário) pode ser responsabilizado civil e criminalmente por negligência em caso de sinistro. 


Para tanto, a manutenção, verificação e inspeção é necessária em todos os sistemas de combate ao incêndio descritos nos parágrafos anteriores, cada uma deverá seguir orientações estabelecidas em suas respectivas instruções técnicas e devem ser feitas periodicamente. 


Conclusão


A segurança contra incêndio vai muito além do atendimento das exigências legais ou da obtenção de documentos obrigatórios para funcionamento. O Projeto Preventivo Contra Incêndio representa, na essência, o compromisso da engenharia com a preservação da vida, a proteção do patrimônio e a continuidade das atividades econômicas. Cada sistema especificado, cada cálculo realizado e cada detalhe executivo previsto em projeto tem como finalidade garantir que, diante de uma emergência real, a edificação responda de maneira eficiente e segura.


Nesse contexto, o papel da engenharia é determinante. Cabe ao profissional habilitado interpretar corretamente as normativas, compreender os riscos da ocupação e transformar requisitos técnicos em soluções viáveis, compatíveis com a arquitetura e com a operação do empreendimento. Um PPCI bem elaborado não é apenas um conjunto de plantas: é uma estratégia integrada que envolve prevenção, abandono, combate e suporte às equipes de emergência.



Empresas especializadas, como a BFS Engenharia, assumem protagonismo nesse processo ao unir conhecimento técnico, experiência de campo e atualização constante frente às Instruções Normativas e às normas da ABNT. Essa atuação garante projetos mais assertivos, maior previsibilidade na aprovação junto ao Corpo de Bombeiros e, principalmente, edificações preparadas para proteger pessoas.


Portanto, investir em segurança contra incêndio é investir em responsabilidade, confiabilidade e futuro. Quando tratada com a seriedade que merece, a prevenção deixa de ser apenas um requisito burocrático e se consolida como um pilar fundamental da qualidade da construção e da valorização do empreendimento.

Conteúdo desenvolvido por Letícia Madeira, Projetista Preventivo Contra Incêndio.

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O que é barramento blindado O barramento blindado, também conhecido como busway, é uma linha elétrica pré-fabricada que se resume a um condutor de energia elétrica , geralmente fabricado com alumínio ou cobre e composto por peças, que montadas juntas irão compor o barramento blindado, são elas os trechos retos, curvas verticais, curvas horizontais, conexões em T e assim por diante, com capacidade de conduzir correntes que chegam a mais de 6.000 A e recoberto por invólucros metálicos retangulares de aço carbono zincado ou de alumínio. Também existem as caixas de derivação ou cofres, também chamados de plugin, que ficam instalados junto ao barramento e servem para derivar um circuito do barramento blindado, fazendo a conversão de barras para cabos. Essa combinação de barras e invólucro é o equivalente aos cabos e infraestrutura (eletrodutos ou eletrocalhas) no sistema convencional de cabos. As barras correspondendo aos cabos elétricos e o invólucro à infraestrutura, pois é ele que evita contatos acidentais com as barras (partes vivas) e é através dele que é feita a fixação/suportação em lajes e paredes.
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Nos últimos anos, o termo “ Compatibilização em BIM” se tornou cada vez mais recorrente entre arquitetos, engenheiros e outros profissionais envolvidos com projetos e com a construção civil. A sigla para Building Information Modeling (BIM) , ou modelagem da informação da construção, trata-se de um processo em que modelamos um edifício com muito mais informações do que constam numa simples planta baixa, feita com linhas e outras geometrias. No BIM, a proposta é modelar cada parte da edificação de maneira muito mais dinâmica, em que cada elemento carregue consigo várias informações. Podemos pensar numa mera parede, por exemplo. No desenho tradicional, ela será composta por duas linhas paralelas e alguma hachura representando seu material construtivo. Com o BIM, essa parede será desenhada, também em planta baixa, mas este desenho automaticamente criará seu modelo 3D, adicionando a esta parede informações como altura, espessura, material, revestimento e várias outras informações que os projetistas podem incluir para, posteriormente, gerar listas de materiais, orçamentos, cronogramas e outras informações que podem auxiliar na obra. As vantagens do BIM envolvem, também, uma das maiores dificuldades que os projetistas têm com projetos tradicionais. Falamos em “projetistas” , no plural, porque um projeto envolve uma série de profissionais, cada um assumindo sua especialidade. Arquitetura, Estrutura, Climatização , Hidráulica, Sanitário, Drenagem, Elétrica, Telecomunicações são apenas alguns exemplos de “disciplinas” que podem ser necessárias para o projeto de uma edificação. E é muito provável que todos os projetistas responsáveis elas não trabalhem numa mesma empresa, ou em horários semelhantes, nem que tenham uma comunicação tão facilitada entre si. A dificuldade, então, está em gerar uma comunicação assertiva entre todos estes projetistas. Chegamos, então, à compatibilização de projetos, o foco deste artigo.